21 de outubro de 2026
NO BRASIL

Emissões de gases-estufa caem pelo terceiro ano consecutivo

Por Jéssica Maes | da Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min
Fernando Frazão/Agência Brasil
O desmatamento é a principal fonte das emissões de gases-estufa do Brasil

 O Brasil jogou na atmosfera 2,06 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa (GtCO2e) no ano passado, redução de 6% em relação aos 2,19 GtCO2e de 2024. A queda se deve à redução do desmatamento, principalmente na amazônia e no cerrado.

O índice é o menor desde 2018, restaurando o patamar anterior à gestão de Jair Bolsonaro (PL). O ex-presidente, hoje preso por tentativa de golpe de Estado, promoveu um desmonte da fiscalização ambiental que fez o desmate explodir em seus quatro anos de mandato.

Os dados são do Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa) do Observatório do Clima e foram divulgados nesta quarta-feira (21).

Considerando as emissões líquidas, ou seja, descontando o crescimento de vegetação secundária e a remoção de carbono por áreas protegidas, a taxa foi 1,4 bilhão de toneladas, queda de 9% em relação ao ano anterior e o menor valor desde 2012.

O governo reporta os esforços nacionais de mitigação à ONU com o dado de emissões líquidas. Com o resultado apontado pelo Seeg, o país ficou 6% abaixo da sua meta climática, conhecida pela sigla NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada). A promessa do governo brasileiro junto ao Acordo de Paris, tratado internacional para conter o aquecimento do planeta, era de chegar a 1,32 GtCO2e até 2025.

"Nós teríamos cumprido a NDC de 2025, não fosse pelo governo Bolsonaro", afirma o coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima, Claudio Angelo. "A partir de 2023, tivemos que correr muito atrás do prejuízo. O Brasil partiu de um lugar muito mais desfavorável para o cumprimento da NDC, com taxas de desmatamento acima de 10 mil km² na amazônia."

O desmatamento é a principal fonte das emissões de gases-estufa do Brasil e, em 2025, houve redução na perda de vegetação nativa na amazônia e no cerrado, os maiores biomas do país, pelo segundo ano consecutivo.

Com isso, as emissões brutas do setor de mudança de uso da terra, que abarca sobretudo o desmatamento, caíram 15% em relação a 2024, indo de 957 MtCO2e (milhões de toneladas de gás carbônico equivalente) para 814 MtCO2e.

Se consideradas as emissões líquidas, a redução foi de 48% no mesmo período (de 311 MtCO2e para 162 MtCO2e). Em 2022, último ano do governo Bolsonaro, a taxa era de 860 MtCO2e --o que representa queda de 81% no setor no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nas emissões brutas a redução foi de 46%: de 1.505 MtCO2e em 2022 para 814 MtCO2e em 2025.

Nos quase todos os outros setores da economia, a poluição climática variou pouco. As emissões brutas da agropecuária permaneceram em 626 milhões de toneladas de CO2e em 2025 (queda de 0,1%), assim como ficaram estáveis as de processos industriais e uso de produtos, com 0,2% de alta, permanecendo em 94 MtCO2e.

Em energia, houve alta de 1,2%, de 422 MtCO2e em 2024 para 427 MtCO2e em 2025. O maior crescimento foi no setor de resíduos, com 3,6% e foi de 92 MtCO2e para 96 MtCO2e no período.