21 de outubro de 2026
CAMPANHA

Em Campinas, Alckmin cobra que Flávio Bolsonaro abra sigilos

Por Flávio Paradella | Especial para a Campinas
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação/PSB Campinas
Vice-presidente criticou adversário de Lula durante ato com Fernando Haddad e também falou sobre escala 6x1, MEI e transporte gratuito.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) cobrou transparência do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e defendeu a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de quem ocupa a Presidência da República. A declaração foi feita nesta quarta-feira (21), em Campinas, durante uma mobilização eleitoral ao lado do ex-ministro e candidato derrotado ao governo do estado, Fernando Haddad (PT), na reta final da campanha para o segundo turno.

"Eu defendo que quem se elege presidente não devia ter sigilo nem bancário, nem fiscal, nem telefônico. Vida pública é pública. Quem não quiser ter vida pública vai para o setor privado", afirmou Alckmin.

A manifestação ocorreu após o vice-presidente ser questionado sobre a resposta da campanha de Flávio Bolsonaro a um desafio do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, para a divulgação de informações bancárias e telefônicas. Só que o candidato do PL condicionou a abertura de seus sigilos à divulgação de informações sobre cartões corporativos e viagens em aviões particulares relacionadas ao presidente Lula.

"Ele está dando uma desculpa", respondeu Alckmin. "Não dá para ter vida pública, ser candidato a presidente da República e não querer prestar contas."

O vice-presidente também citou suspeitas envolvendo movimentações financeiras e episódios associados ao adversário.

Fim da escala 6x1

Alckmin também defendeu a substituição da escala de trabalho 6x1, com apenas uma folga semanal, pelo modelo 5x2, que prevê dois dias de descanso. A proposta foi aprovada no Congresso e está entre as principais bandeiras da campanha do presidente Lula.

"De lá para cá mudaram as relações de trabalho. A tecnologia permite você fazer mais com menos gente. A agricultura mecaniza, a indústria automatiza, até o setor de serviços tem uma tecnologia mais avançada. E agora entra a inteligência artificial", afirmou.

Para o vice-presidente, o avanço tecnológico abre espaço para a redução da jornada de trabalho. "No mundo inteiro, você tem uma tendência a reduzir jornada de trabalho", disse.

Alckmin relatou ainda uma conversa com uma trabalhadora que encontrou em um restaurante às margens da Rodovia Ayrton Senna. Segundo ele, a mulher afirmou que aceitava trabalhar aos sábados e à noite, mas precisava de dois dias de folga para cuidar dos filhos e da casa.

"Então, essa foi uma conquista dos trabalhadores, das trabalhadoras, especialmente das mulheres", declarou.

Novo teto do MEI


Divulgação/PSB Campinas

Outra proposta defendida pelo vice-presidente foi a ampliação do limite de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI). O teto anual atualmente é de R$ 81 mil, e a mudança permitiria que mais pequenos negócios permanecessem no regime simplificado.

"O MEI, o microempreendedor individual, é até 81 mil reais. Então, você subiu, vai para 110 mil, depois vai para 140 mil. Ao invés de um empregado, vai poder ter dois", afirmou.

Alckmin destacou a importância dos pequenos negócios para a economia e mencionou a quantidade de empreendedores na região. "Só aqui na região de Campinas tem mais de 120 mil MEIs", disse.

Tarifa zero aos finais de semana

Questionado sobre como seria financiada a proposta Lula de transporte público gratuito aos finais de semana, Alckmin mencionou o uso de recursos de emendas parlamentares. "O que o presidente Lula está fazendo? Uma coisa inteligente. Olha, uma parte das emendas é para isso", afirmou.

"Vamos usar bem as emendas, ajudar as pessoas no final de semana a poderem ter um lazer, poderem sair de casa, poderem ter uma atividade com a família", acrescentou.

A proposta busca ampliar o acesso ao transporte coletivo nos dias de descanso, mas o vice-presidente não detalhou os custos nem apresentou um modelo permanente de financiamento.

Campinas, indústria e reforma tributária

Ao falar sobre as prioridades para Campinas e região, Alckmin destacou a concentração de universidades, centros de pesquisa e indústrias.

"Nós estamos numa das melhores regiões do país. Vanguarda da ciência. A Unicamp está completando 60 anos, uma das melhores universidades do país", afirmou.

O vice-presidente citou o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), a indústria automotiva, o agronegócio e o setor farmacêutico como áreas estratégicas para investimentos. "É uma região espetacular", resumiu.

Alckmin também elogiou a reforma tributária e fez referência à atuação de Fernando Haddad na condução da proposta.

"Há um estudo do Ipea que mostra que a reforma tributária, por si só, em 15 anos, pode fazer o PIB crescer 12%. Os investimentos, 14%, porque desonera investimento. E as exportações, 17% a mais", declarou, citando projeções de efeitos econômicos da mudança.

Haddad lembrou que eleição está apertada

Fernando Haddad também falou com os jornalistas e avaliou que a disputa presidencial está indefinida a poucos dias da votação de domingo (25).

"Essa é uma eleição muito apertada, como a gente está vendo pelas pesquisas. Essa última semana mostra que está tudo empatado dentro da margem de erro", afirmou.

O ex-ministro defendeu a continuidade do governo Lula e criticou as propostas da oposição, especialmente em relação aos direitos trabalhistas. "Está em risco a soberania nacional. Está em risco a democracia. Está em risco os programas sociais. Está em risco os direitos trabalhistas", declarou.

Haddad também afirmou que a campanha pretende intensificar as conversas com os eleitores até o segundo turno. "Nós temos que usar esses três, quatro dias para conversar com as pessoas", disse.