A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) pretende ignorar o desafio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para abertura do sigilo bancário e telefônico do senador.
Aliados do candidato avaliam que o esforço do petista para constrangê-lo sobre o caso Master e outros escândalos não superou a bolha da esquerda e tem efeito eleitoral limitado. Por isso, não haveria prejuízo em recusar a pressão do petista.
Num esforço para virar o jogo contra Flávio Bolsonaro, Lula desafiou seu adversário a abrir o sigilo telefônico e bancário durante o debate da Band, realizado no domingo (18). A provocação foi concretizada nesta terça-feira (20), quando o petista formalizou perante o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a proposta de quebra de sigilos.
O documento entregue por Lula ao TSE afirma que ele pode abrir seu próprio sigilo, além dos da primeira-dama Janja Lula a Silva e dos seus filhos, Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Cláudio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva (conhecido como Lulinha), Sandro Luís Lula da Silva e Luís Claudio Lula da Silva desde que o adversário faça o mesmo.
A pressão feita por Lula durante o debate tem sido compartilhada exaustivamente nas redes sociais por páginas e apoiadores do PT. Apesar disso, integrantes da campanha do PL dizem não ter detectado impacto entre eleitores indecisos e classificam o movimento dos petistas como sinal de desespero na reta final da eleição.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro ficou com 47,03% dos votos, enquanto Lula obteve 45,16%. No Datafolha divulgado no dia 16, o candidato do PL tem 51% da intenção de votos válidos, ante 49% do petista. Uma nova pesquisa será divulgada nesta quinta-feira (22).
Durante o debate, Flávio Bolsonaro afirmou que não abriria o sigilo bancário ou telefônico porque Lula não tem celular e afirmou, sem provas, que o petista recebeu dinheiro "por fora" de Daniel Vorcaro. O senador do PL tinha acordo com o ex-dono do Banco Master para financiamento de um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro, na casa dos R$ 134 milhões.
Sob reserva, integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro afirmaram à Folha que o senador pretende manter o sigilo das suas contas e do seu telefone. Aliados acreditam que Lula demonstrou desespero ao apelar para a quebra de sigilo, e que a pressão sobre o candidato do PL até o momento não furou a bolha de esquerda.
O entorno do candidato aponta ainda que a sua vida tem sido devassada há anos e que seus rendimentos já foram informados ao TSE, sem a necessidade de passar pelo constrangimento. Ainda há discussão interna sobre como lidar com o assunto no debate da Globo, na sexta (23), mas é certo que o presidente Lula levantará novamente o desafio sobre o sigilo.
Lula desafiou Flávio a abrir suas informações e as de seus familiares, citando o ex-presidente Jair Bolsonaro, além da mãe do senador, Rogéria Bolsonaro; seus irmãos, o senador eleito Carlos Bolsonaro (PL-SC), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o deputado eleito Jair Renan Bolsonaro (PL-SC); e sua mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro.
O petista também afirmou disponibilizar o sigilo das empresas e demais CNPJs dos quais é sócio, contanto que Flávio Bolsonaro faça o mesmo. O desafio ainda engloba o sigilo de "contas bancárias em que figurem como responsáveis financeiros ou ‘usuário máster’".
A menção a contas bancárias ocorre porque Flávio Bolsonaro é investigado no STF (Supremo Tribunal Federal). A PF (Polícia Federal) enviou à corte um pedido de inquérito contra o senador, por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, amigo pessoal do candidato à Presidência da República.
O advogado também investigado pela corporação por envolvimento com fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A investigação que envolve Flávio Bolsonaro teve origem em movimentações relacionadas ao setor de apostas. A Folha de S.Paulo mostrou que uma empresa do setor, de propriedade de Willer Tomaz, havia pagado voos do senador para a Europa em 2025.
Segundo a PF, o senador possuía acesso operacional relevante como usuário master em uma conta bancária pertencente à empresa offshore Alcazar Holding, da qual o advogado é sócio. Em maio de 2025, foi solicitada a exclusão do acesso do parlamentar.