20 de outubro de 2026
REDES SOCIAIS

Conselho da Meta aponta falhas recorrentes na moderação eleitoral

da Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min
Paulo Pinto/Agencia Brasil
Manifestação em frente à sede da Meta em SP

O Conselho de Supervisão da Meta, órgão independente que visa aprimorar as ações da empresa, afirmou nesta terça-feira (20) que a empresa apresenta falhas recorrentes na moderação de conteúdo relacionado a eleições e cobrou mais transparência e consistência na aplicação das regras.

O órgão citou restrições técnicas que atingiram contas do presidente Lula (PT), candidato à reeleição no Brasil, e a remoção de um perfil de ativistas políticos nos Estados Unidos. O Conselho também afirmou que a dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp precisa proteger a liberdade de expressão durante as eleições, em vez de restringi-la indevidamente.

O texto foi divulgado em meio à disputa eleitoral brasileira e às vésperas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para novembro. Para o grupo, os problemas de moderação costumam ocorrer de duas formas: a aplicação excessiva das regras, que pode suprimir manifestações políticas legítimas, e a aplicação insuficiente, que compromete a integridade eleitoral.

No caso brasileiro, o órgão afirmou que a aplicação excessiva das políticas contra fraudes às contas de anúncios de Lula representa uma falha que deveria ter sido encaminhada a uma equipe interna de especialistas para revisão.

A manifestação ocorre após a reportagem revelar que contas do petista nas redes foram prejudicadas por restrições. A empresa, responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp, afirmou não interferir em eleições no Brasil e disse que os problemas foram 'incidentes técnicos'. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) determinou que a empresa comprovasse o tratamento igualitário às campanhas do petista e de Flávio Bolsonaro (PL).

O conselho também criticou a atuação da empresa nos EUA, fazendo referência a erro de aplicação de regras sobre contas do movimento "No Kings", que mobiliza manifestações contra o presidente Donald Trump. O episódio, segundo o órgão, deveria ter sido evitado pelos mecanismos internos de prevenção de erros da plataforma.

O texto questiona ainda por que as contas do movimento não estavam incluídas no programa de verificação cruzada da Meta, que permite identificar entidades cívicas importantes e assegurar revisão humana.

O Conselho de Supervisão afirmou que já havia recomendado, após problemas na atuação da big tech nas eleições brasileiras de 2022, a criação de critérios mensuráveis para avaliar a eficácia das medidas de integridade eleitoral.

Segundo o órgão, a empresa divulga indicadores gerais, como o número de anúncios armazenados e de contas removidas, mas ainda não apresenta métricas públicas que permitam avaliar de forma transparente a eficácia da moderação ou identificar suas principais deficiências.

A Meta anunciou em 2025 que adotaria uma abordagem voltada a permitir mais manifestações e reduzir erros nas eleições. Para o Conselho de Supervisão, os episódios recentes mostram que a empresa ainda precisa avançar para cumprir esse compromisso.