A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público contra a policial militar Yasmin Cursino Ferreira pelo homicídio doloso (com intenção de matar) da ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio, 31. Ela era mãe de cinco filhos.
O caso aconteceu em 3 de abril, durante uma abordagem em Cidade Tiradentes, na zona leste da capital paulista.
Yasmin agora é ré no processo e responde por homicídio triplamente qualificado: por motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Como o caso envolve um crime intencional contra a vida, ele agora será julgado por um Tribunal do Júri.
A denúncia foi apresentada pelos promotores Rodolfo Justino de Morais e Lucas de Mello Schaefer, que também pediram uma reparação de R$ 1 milhão para familiares da vítima. O caso tramita em segredo de Justiça.
Em 11 de abril, dias após o crime, o advogado Alexandre Guerreiro disse que a policial atirou na ajudante-geral para interromper o que chamou de uma escalada de agressões. Guerreiro afirmou nesta terça-feira (20) não atuar mais no caso. A reportagem não conseguiu identificar quem é o novo responsável pela defesa da soldado.
Thawanna caminhava na rua com o marido, o ajudante de pedreiro Luciano Gonçalves dos Santos, quando a viatura da PM passou pelo casal e o retrovisor esbarrou no braço dele, segundo a investigação.
Isso deu início a uma discussão entre os policiais e o casal, com Thawanna perguntando se eles iriam atropelá-los. A soldado Yasmin então saiu da viatura e, segundo moradores da rua e a advogada da família da vítima, Viviane Leme, que assistiu às imagens do caso, agrediu a ajudante-geral com um chute e um soco.
O tiro teria ocorrido depois que Thawanna deu um tapa na mão da policial, em reação à agressão, segundo testemunhas ouvidas pela Folha. Ferida, a ajudante-geral permaneceu caída no asfalto por meia hora, até a chegada de uma ambulância.
Para o Ministério Público, o homicídio ocorreu sem que houvesse situação que justificasse o tiro, uma vez que a vítima estava desarmada. Os promotores ressaltaram a demora no atendimento prestado a ela, o que, na visão da Promotoria, configurou meio cruel.
Atualmente, Yasmin está afastada do trabalho. Ela não foi presa.
A decisão que determinou seu afastamento, assinada pelo juiz Antônio Carlos Ponte de Souza, diz que há indícios de conduta criminosa.