20 de outubro de 2026
RETA FINAL

Lula busca tração em atos de rua e mobilização nas redes

Por Caio Spechoto e Catia Seabra | da Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min
Bruno Peres/Agência Brasil
Lula da Silva, durante ato de campanha na Ceilândia, durante o evento 'Lula no Distrito Federal: O Brasil Pronto Pra Mais'

O presidente Lula (PT) chega à última semana de campanha do segundo turno em busca de uma virada inédita na eleição combinando atos de rua, mobilização nas redes sociais e anúncios de benesses a setores da população para aumentar a própria popularidade.

Lula terminou a primeira votação atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL) e tenta recuperar o fôlego nesses últimos cinco dias do pleito, em que aparece nas pesquisas de intenção de voto tecnicamente empatado com o parlamentar.

A agenda desenhada pela campanha do petista para esta semana prevê visitas a até sete cidades. Além disso, o grupo político petista aposta alto no debate da Globo, o de maior audiência e marcado para sexta (23), dois dias antes da votação.

O candidato à reeleição fez uma série de anúncios que beneficiam setores específicos da população e que têm potencial eleitoral. Na quinta-feira (15), ele prometeu propor ao Congresso a instituição do passe livre no transporte público aos fins de semana. O petista relacionou essa ideia ao fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso, que foi promulgada pelo Legislativo na sexta-feira (16) e que tem sido utilizada pelo presidente em sua campanha.

Na terça-feira (13), o presidente da República propôs o perdão de dívidas de MEIs (microempreendedores individuais) com o governo federal, projeto que foi aprovado por Câmara e Senado na mesma semana. Agora, aguarda a sanção do presidente.

Lula também intensificou as medidas para segurar os preços dos combustíveis e prometeu estender o programa de bolsas para estudantes do ensino médio, o Pé-de-Meia, para o ensino superior. Antes do primeiro turno, tomou medidas como o reajuste do Bolsa Família.

Atos em favor de Lula têm sido realizados em diversas cidades, incluindo eventos de grande proporções. Aliados do presidente atribuem o sucesso dessas mobilizações ao medo que uma possível eleição de Flávio Bolsonaro causa na esquerda e em parte dos eleitores de centro.

Ao mesmo tempo, os apoiadores passaram a operar melhor as redes sociais. Duas frentes nesse movimento de redes sociais tiveram destaque público: a maior participação na campanha de candidatos eleitos mais jovens e com maior presença em ambientes digitais; e da administração, pelo deputado André Janones (Rede-MG), do canal de WhatsApp "Exército do Lula". Nesta segunda (19), Janones foi internado com arritmia cardíaca.

Lula fez atos de campanha em Porto Alegre nesta segunda (19) e pretende ir a São Luís, Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) nesta terça (20); Belo Horizonte na quarta-feira (21) e encerrar a campanha com eventos no Rio de Janeiro e em São Paulo no sábado (24), véspera da eleição. A agenda ainda não está toda confirmada. A visita a São Luís, por exemplo, poderá ser cancelada.

O presidente quer dedicar à preparação para o debate da Globo a quinta (22) e a sexta-feira (23), dois dias em que poderia promover atos públicos em algumas cidades. Aliados do chefe do governo avaliam que aparições em rede nacional já não têm o mesmo peso que tiveram no passado por causa do declínio das audiências, mas que, dado o acirramento da atual campanha, um bom desempenho poderá ser decisivo para o resultado da eleição.

No debate, Lula deverá cobrar de Flávio uma explicação sobre como ele pretende promover o "tesouraço" que prometeu nas despesas públicas sem cortar programas sociais. A campanha petista tem dito que o adversário pretende reduzir o sistema de proteção social, e passou a tentar despertar no eleitorado o medo de perder benefícios.

Além disso, aliados do presidente da República insistem para que ele peça votos em suas aparições na televisão. A avaliação é que o petista tem tido dificuldade para deixar o figurino de presidente e assumir o de candidato nesses eventos.

Lula reorganizou sua equipe de campanha no segundo turno e conseguiu injetar ânimo em seus aliados. Nos primeiros dias após o primeiro turno havia um clima de derrota entre petistas. Agora, mesmo os menos otimistas dizem que o presidente tem chances reais de reeleição.

Essa reorganização veio com um novo estilo de comunicação, mais incisivo, buscando aumentar a rejeição de Flávio Bolsonaro. Ainda assim, setores petistas cobram que o presidente faça um embate ainda mais direto contra o adversário. A reportagem ouviu reclamações, por exemplo, por Lula não ter feito tantas críticas ao candidato bolsonarista durante a entrevista ao Jornal Nacional, na quinta-feira (15).

Lula terminou o primeiro turno com 45% dos votos válidos, contra 47% de Flávio Bolsonaro. A última pesquisa Datafolha mostrou o petista com 49% das intenções de voto contra 51% do adversário, contando apenas os votos válidos. Trata-se de um empate dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Desde a redemocratização, nunca um candidato a presidente que terminou o primeiro turno em segundo saiu vencedor da eleição.