17 de outubro de 2026
CAVALO DE TROIA

Prefeita criada em Birigui depõe em Bauru; marido é preso

Por Guilherme Renan | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Guilherme Lima
Prefeita de Bauru, Suéllen Rosim, em depoimento à Comissão Processante da Câmara Municipal

A prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (PSD), negou ter recebido alertas prévios sobre possíveis irregularidades na concessão dos serviços de resíduos sólidos do município. Ela também afirmou não ter recebido presente pessoal de um representante da empresa Estre Ambiental. As declarações foram feitas nesta sexta-feira (16), durante depoimento à Comissão Processante da Câmara Municipal.

A oitiva ocorreu no mesmo dia em que Renato Purini, marido da prefeita e então secretário municipal de Governo, foi preso em um novo desdobramento da Operação Cavalo de Troia. Após a prisão, ele foi exonerado do cargo.

Conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a investigação apura suspeitas de fraude, direcionamento e corrupção na estruturação de uma concessão de resíduos sólidos prevista para durar 30 anos, com valor estimado em R$ 5,2 bilhões.

Durante o depoimento, Suéllen afirmou que não participou diretamente das decisões técnicas sobre o contrato e que os contatos mantidos com Hamilton Libório Agle, representante da Estre Ambiental, foram exclusivamente institucionais.

Questionada sobre conversas interceptadas pela investigação, nas quais aparecem referências a um possível presente destinado a ela e a dinheiro, a prefeita negou ter recebido qualquer benefício pessoal. Disse ainda que não poderia ser responsabilizada por declarações de terceiros.

Papel do marido

Sobre a atuação de Renato Purini, Suéllen afirmou que a concessão era conduzida pela Secretaria de Meio Ambiente, enquanto o marido exercia funções de articulação política entre o Executivo e a Câmara.

A prefeita declarou desconhecer eventuais contatos entre Purini e representantes da Estre relacionados ao projeto. Sobre a prisão, afirmou que ele terá oportunidade de apresentar explicações à Justiça.

Os vereadores também questionaram a prefeita sobre a nomeação de agentes públicos investigados na operação e possíveis conflitos de interesse na contratação da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), responsável por estudos utilizados na concessão.

Suéllen afirmou que as nomeações ocorreram com base em indicações e avaliações técnicas e negou ter conhecimento prévio de circunstâncias que pudessem comprometer o processo.

Ligação com Birigui

Embora tenha nascido em Dourados (MS), Suéllen Rosim viveu parte da juventude em Birigui, antes de seguir carreira no jornalismo e ingressar na política.

Sua mãe, Lúcia Rosim, também tem ligação política com a região. Candidata a deputada estadual pelo PSD nas eleições de 2026, recebeu 16.400 votos e ficou na condição de suplente.

Investigação continua

A Comissão Processante apura três possíveis infrações político-administrativas relacionadas à concessão: atendimento aos pedidos de informações da Câmara, falhas de governança e prevenção de conflitos de interesse e eventual omissão na defesa dos interesses do município.

Durante a oitiva, a prefeita afirmou que os pedidos de informações do Legislativo eram encaminhados aos setores técnicos e que não acompanhava individualmente cada resposta. Ela não soube precisar se determinados documentos foram entregues antes ou depois da votação que autorizou a concessão.

O depoimento foi antecipado em razão da gestação de sete meses da prefeita, por decisão da maioria da comissão, apesar de questionamentos apresentados pela defesa.

O procedimento continua na fase de produção de provas e depoimentos. As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam comprovação de responsabilidade dos envolvidos.