O Grupo Pró Bauru pretende iniciar uma articulação com os segmentos organizados e os partidos políticos do município para avaliar como pode se dar a participação da cidade nas próximas eleições para deputado estadual e federal com foco no resgate da representatividade política perdida pela cidade. A proposta será levada à próxima reunião do grupo, coordenado pelo presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Bauru (Sincomercio), Walace Sampaio. O objetivo é discutir, com antecedência, caminhos para que Bauru volte a eleger representantes próprios na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.
Na avaliação de Sampaio, a cidade vive um período de esvaziamento político, com partidos pouco estruturados e ausência de lideranças capazes de articular um projeto comum de representação. Ele também considera necessário começar a discutir a sucessão municipal.
Na entrevista a seguir, o dirigente aborda ainda o fim da escala de trabalho 6x1, os impactos da mudança para o comércio, a revitalização da região central e a necessidade de incentivar a construção de moradias no Centro. O tema, segundo ele, precisa ser incorporado às discussões do Plano Diretor e da Lei de Zoneamento, atualmente em debate na Câmara Municipal.
JC - O senhor pretende levar à próxima reunião do Grupo Pró Bauru a proposta de um diálogo com os partidos políticos e entidades. Qual é o objetivo dessa iniciativa?
Walace Sampaio - Pretendo propor que comecemos, desde já, a trabalhar uma aproximação com os partidos políticos de Bauru. Precisamos ter, na próxima eleição para deputado estadual e federal, um número razoável de candidatos, para que a cidade consiga eleger seus representantes. São deputados de que Bauru necessita e que há muitos anos não conseguimos eleger.
JC - A cidade não pode continuar sem representação própria no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa.
Sampaio - Não pode ficar assim. Precisamos começar a discutir com a classe política de que forma vamos encaminhar essa questão, para que, daqui a quatro anos, tenhamos deputados estaduais e federais eleitos por Bauru. Também temos uma preocupação mais imediata com a próxima eleição municipal. A prefeita está no segundo mandato e haverá uma substituição no comando da Prefeitura. Precisamos começar a discutir essa questão desde agora.
JC - Como o senhor avalia o atual cenário político de Bauru?
Sampaio - Temos de reconhecer que Bauru vive um vazio político. Não temos mais lideranças políticas fortes na cidade. Existem pessoas com luz própria, que desenvolvem seu trabalho, mas os partidos políticos hoje são praticamente inexistentes em Bauru. Precisamos discutir como reconstruir essa articulação e criar condições para que a cidade tenha uma representação política mais consistente.
JC - Em âmbito nacional, há uma disputa intensa em torno de temas trabalhistas. Um deles é o fim da escala 6x1. Como o senhor avalia essa mudança na vida das empresas?
Sampaio - O que vemos foi uma medida adotada de forma irresponsável. Todos nós, trabalhadores, comerciários e comerciantes, queremos mais tempo para dedicar à família e ao lazer. Mas uma questão dessa dimensão e com esse alcance não poderia ter sido discutida da forma como foi conduzida. Não faz sentido. Precisaríamos de mais tempo para discutir o assunto. Do ponto de vista das empresas, é necessário avaliar o que essa mudança representaria na prática. Os impactos podem variar de acordo com o tipo e o porte de cada empresa. É uma discussão que exige profundidade, porque envolve a organização do trabalho e os custos das atividades econômicas.
JC - O comércio de Bauru continua enfrentando problemas na região central, especialmente nas áreas de segurança e revitalização. O que precisa avançar?
Sampaio - Continuamos com os mesmos problemas. Uma medida anunciada que será muito importante para a retomada da atividade comercial no Centro é a mudança da Prefeitura para o prédio da antiga estação ferroviária. A transferência está prevista na programação da prefeita Suéllen Rosim, mas, diante dos problemas que enfrentamos agora com as concessões, esse processo pode sofrer atrasos. Ainda assim, é um passo importante. O que não podemos esquecer é que o Centro precisa voltar a ter moradores. Para isso, a Prefeitura deve rever os parâmetros estabelecidos para as edificações e criar condições para incentivar a construção de moradias na região.
JC - Por que o retorno da habitação é tão importante para a revitalização do Centro?
Sampaio - Temos infraestrutura disponível, terrenos e áreas que podem ser aproveitados. Não há necessidade de continuar levando empreendimentos habitacionais para bairros cada vez mais distantes, ampliando os problemas de deslocamento pela cidade. Bauru precisa fazer o que outros municípios já estão fazendo, com incentivo à retomada da habitação na área central. Quando as pessoas voltam a morar no Centro, a região ganha vida, inclusive no período noturno. Isso favorece o retorno de estabelecimentos como bares, lanchonetes, padarias e outros serviços que atendem aos moradores.
JC - A Câmara Municipal discute os projetos do Plano Diretor e da Lei de Zoneamento. O Grupo Pró Bauru acompanha essa discussão?
Sampaio - Sim. Levamos previamente essas discussões e defendemos, tanto nos debates sobre o Plano Diretor quanto na Lei de Zoneamento, a necessidade de incentivar o uso habitacional e o retorno das moradias à região central. Além de contribuir para a revitalização, essa política pode representar uma economia para o município. É muito mais barato implantar moradias em uma área central, onde já existe infraestrutura, do que expandir a ocupação para bairros cada vez mais distantes.