O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu mais alguns passos para ter uma conclusão sobre a relação comercial que envolve clubes, investidora e a cadeia que abrange a Futebol Forte União (FFU).
Uma nota técnica emitida nesta quinta-feira (15) aponta caminhos para sanar questionamentos a respeito de pontos que abraçam a relação contratual no bloco e também a venda de direitos de transmissão do Brasileirão.
Na avaliação conduzida pelo Cade, a chefia da autarquia declarou o ato de concentração (processo) sobre o tema como "complexo". Tecnicamente, isso quer dizer que ele demanda uma investigação mais profunda para averiguar riscos eventuais à concorrência no mercado.
Em nota, a Sports Media Entertainment (SME) disse que vê com bons olhos o aprofundamento da análise do Cade sobre a venda coletiva de direitos de transmissão da FFU, pois permitirá mostrar os ganhos do modelo. A empresa considera a declaração de complexidade um procedimento normal e defende que o prazo de 50 anos se justifica por ser um investimento de longo prazo, com pagamento antecipado e remuneração do capital.
Na nota técnica, o Cade apontou quatro tópicos principais para destrinchar:
Ao longo da nota técnica, assinada pela cadeia de superintendentes do órgão, o Cade detalhou mais os motivos para a conclusão.
"É preciso verificar também se há efeitos concorrenciais relevantes relacionados ao prazo de vigência de 50 anos do contrato/condomínio", disse o texto. O Cade sublinhou que o esse prazo "é coincidente com o período referente ao qual foram adquiridas, pela SME, as frações (de até 20%) dos direitos de arena antes pertencentes aos clubes".
Há um interesse em entender as diferenças dos contratos da FFU assinados individualmente com Corinthians, Atlético-MG e Vitória.
Sobre a relação entre a SME e a LiveMode, a nota traz: "Indica-se, além dessa relação comercial, que poderia haver relações de natureza vertical entre ambas, uma vez que a LiveMode é controladora da CazéTV, empresa que adquiriu um pacote comercializado pelo CFU no ciclo de negociação 2025-2029 e é compradora potencial de direitos de transmissão referentes a competições esportivas de uma maneira geral, inclusive das séries A e B do Campeonato Brasileiro em próximos ciclos de negociação".
O Cade pontuou que "trata-se de relação que precisa ser esclarecida de forma definitiva e se confirmada, precisa ter seus efeitos à concorrência analisados".
A autarquia ainda está de olho nas reclamações dos clubes. Há dirigentes da FFU que pedem mudanças nas regras do condomínio, com redução de poder do investidor, mas "alegam dificuldade", segundo o Cade.
"Não se pode deixar de entender em maior profundidade também as repercussões concorrenciais derivadas dos argumentos trazidos por clubes, que apontam dificuldades relacionais junto a investidora e a aspectos de governança relacionados ao funcionamento do condomínio", diz ainda o texto.
O prazo para apresentação das informações é de dez dias. A Superintendência-Geral do Cade pode pedir aumento desse período, caso entenda ser necessário.
A Sports Media Entertainment (SME) considera que o aprofundamento da análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a comercialização coletiva dos direitos de transmissão dos clubes da Futebol Forte União (FFU) é positivo e permitirá examinar os resultados econômicos positivos e eficiências do modelo, que reúne investimentos de longo prazo e dezenas de clubes. Além disso, afastará todas as ilações trazidas por terceiros aos autos.
Estudo da LCA Consultores, apresentado ao Cade, aponta que a receita média de direitos de transmissão dos clubes da Série A integrantes do Condomínio Forte União (CFU) cresceu 47% entre 2024 e 2025, passando de R$ 95 milhões para R$ 140 milhões. No mesmo período, a relação entre a maior e a menor receita caiu de 4,80 para 1,98 vez. O levantamento registra ainda um aumento de 93% nas exibições em janelas gratuitas, de uma média anual de 92 no ciclo anterior para 178 em 2025.
O novo ciclo de comercialização, iniciado em 2025, reúne contratos com Globo, Record, YouTube/CazéTV e Amazon, ampliando a diversidade de compradores e formatos de distribuição dos direitos esportivos.
A declaração de complexidade é um procedimento previsto na legislação concorrencial para operações que exigem análises adicionais e que contam com terceiros interessados, como é o caso (SINAFUT, ANAF e FENAPAF). A SME mantém diálogo transparente com o CADE e detalhará com rigor analítico ainda maior as eficiências e resultados econômicos já alcançados, os fundamentos dos contratos de investimento e os mecanismos de governança do CFU.
A análise desses elementos permitirá avaliar os efeitos da operação sobre a geração de receitas, o equilíbrio econômico entre os clubes e o acesso dos torcedores às transmissões.
O horizonte de 50 anos previsto nos contratos está associado à natureza dos investimentos realizados pela SME e à natural remuneração do capital investido, haja vista a aquisição de participações minoritárias nos direitos de arena e nas propriedades comerciais dos clubes, com pagamento antecipado. Essa estrutura permite organizar a exploração econômica dos ativos ao longo de diferentes temporadas, com ciclos próprios de negociação dos direitos de transmissão, como o atual, de 2025 a 2029. O prazo integra a lógica econômica de um investimento de longo prazo, combinado entre partes empresárias, com inequívocos benefícios mútuos.