O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, disse na manhã desta terça-feira (13) que vai votar a favor da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala 6x1, proposta do governo Lula (PT).
Em meio ao segundo turno da eleição, a aprovação de um dia a mais de folga com manutenção do salário é uma das principais apostas de Lula para tentar uma virada na disputa, já que o petista está atrás de Flávio nas pesquisas.
A declaração favorável à PEC é uma mudança de postura de Flávio, que vinha afirmando que a discussão no período eleitoral era oportunista. Até agora, o senador evitava dizer se votaria a favor do governo, e o PL tentou adiar a votação para depois da eleição.
Flávio declarou seu voto à imprensa logo após ter visitado seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar no âmbito da condenação por tentativa de golpe de Estado.
"A maioria dos trabalhadores brasileiros querem o fim da 6x1, então vou votar a favor", disse o senador. A votação da PEC está prevista para esta quarta-feira (14), conforme a pauta definida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
A sessão vai ocorrer de forma presencial e remota. Nesta quarta, Flávio Bolsonaro tem agendas de campanha em Porto Alegre, mas poderia votar pelo celular.
Apesar de declarar apoio à pauta popular a duas semanas da eleição, Flávio voltou a criticar a PEC governista, afirmando que o governo terá que arcar com a compensação da manutenção dos salários.
"Os empresários estão sufocados, estão quebrados. Então o governo vai ter que bancar essa compensação, porque, obviamente, quando você reduz a jornada de trabalho, será necessário a contratação de mais pessoas. Tem um risco de muita gente ir para informalidade. Tudo isso a gente está pesando, mas meu voto vai ser conforme a vontade da maioria do povo trabalhador brasileiro", declarou.
Flávio também defendeu a proposta alternativa do PL, que prevê flexibilidade na jornada e pagamento conforme as horas trabalhadas. Na prática, a medida implica em redução de salário em caso de redução de jornada e negociação entre patrão e empregado.
"A gente defende algo ainda melhor. Eu queria que tivesse liberdade para o trabalhador montar sua jornada. [...] Como é que fica aquela mãe que não tem com quem deixar o seu filho e só pode trabalhar, por exemplo, 4 horas por dia? Vai continuar engessada a jornada dela. Mas eu acho que é um processo de evolução", disse o candidato.