A Polícia Militar interditou a rua Maria Antônia nesta quinta-feira (8), após um bate-boca entre apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República. A ocorrência foi registrada nas proximidades da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
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O episódio aconteceu na região central de São Paulo, após a reitoria da instituição proibir manifestações político-partidárias dentro do campus. Estudantes ligados ao coletivo “Mack com Lula” participaram de um ato na rua, com presença de representantes da UNE (União Nacional dos Estudantes).
Vídeos publicados pelo perfil “Mack com Lula” mostram dezenas de estudantes reunidos na região da rua Maria Antônia. Depois, o grupo seguiu em caminhada até a Praça Roosevelt, onde ocorreu o ato “Vamos Virar o Jogo”.
A manifestação contou com a participação de políticos e representantes de movimentos de esquerda, entre eles Guilherme Boulos, Erika Hilton, Sônia Guajajara, Professora Luciene Cavalcante, Natália Boulos, Sofia Favero, Carlos Giannazi, Ediane Maria, Débora Lima, Celso Giannazi e JR Freitas.
Em publicação nas redes sociais, o perfil “Mackenzistas com Flávio” informou que orientaria seus apoiadores a não realizar uma manifestação no mesmo local e horário. O grupo declarou que não pretendia criar um ambiente de hostilidade.
A Universidade Presbiteriana Mackenzie divulgou, na terça-feira (6), um comunicado proibindo manifestações político-partidárias dentro das dependências da instituição.
Segundo a reitoria, a decisão foi tomada após a identificação, pelas redes sociais, de eventos políticos convocados sem conhecimento prévio ou autorização da universidade. O comunicado também citou preocupações de integrantes da comunidade acadêmica com a segurança e o bem-estar dos estudantes.
O documento foi assinado pelo reitor Marco Tullio de Castro Vasconcelos.
A decisão ocorreu após o coletivo “Mack com Lula” convocar uma assembleia no campus de Higienópolis para discutir ações relacionadas à disputa eleitoral. No mesmo dia, integrantes de um grupo de WhatsApp denominado “Caça aos Comunistas” passaram a articular uma mobilização contrária ao ato.
A manifestação desta quinta-feira ocorreu na rua Maria Antônia, fora das dependências da universidade.
Em declaração ao portal Metrópoles, Matheus das Neves, estudante de Direito e diretor da UNE e do Diretório Central dos Estudantes Rubens Paiva, afirmou que a decisão da universidade causou estranheza e indignação entre os organizadores.
Segundo ele, a manifestação foi convocada em resposta às ameaças que, de acordo com o estudante, teriam sido feitas contra a mobilização.
O representante estudantil afirmou que o ato buscava defender a democracia e manifestar apoio à reeleição de Lula.
A rua Maria Antônia tem importância histórica na política estudantil brasileira. Em outubro de 1968, estudantes do Mackenzie e da USP (Universidade de São Paulo) entraram em confronto no local, em um episódio que envolveu integrantes do CCC (Comando de Caça aos Comunistas), grupo de extrema direita que atuou durante a ditadura militar. O conflito terminou com um estudante morto e diversos feridos.
Na manhã desta quinta-feira, outro grupo de estudantes esteve na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, onde colou cartazes em apoio a Flávio Bolsonaro e imagens de Jesus Cristo.
Entre os participantes estava Benjamin Pontes, estudante de Direito do Mackenzie e influenciador digital. Em publicações nas redes sociais, ele criticou o apoio do Diretório Central dos Estudantes do Mackenzie à manifestação organizada pelo coletivo “Mack com Lula”.
A mobilização dos grupos ocorreu após o primeiro turno das eleições, realizado no domingo (4), e em meio à disputa política entre apoiadores dos dois candidatos à Presidência.