O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (7) que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), vai subir com ele a rampa do Palácio do Planalto em uma eventual posse em 2027, caso seja eleito contra o presidente Lula (PT).
"Ele [Jair Bolsonaro] vai subir aquela rampa junto com a gente e vai colocar a faixa no filho dele", afirmou Flávio. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado. Ele foi condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a 27 anos e 3 meses de prisão no ano passado.
O ministro do STF Kassio Nunes Marques, indicado por Bolsonaro à corte, deve analisar o caso que pode levar à soltura do ex-presidente após o segundo turno.
Flávio e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reuniram-se nesta quarta com os parlamentares e governadores do partido eleitos. O PL elegeu 121 deputados federais e 19 senadores —chegando a 28, considerando os que estão na metade do mandato.
Em discurso, Flávio agradeceu aos aliados, pediu que eles continuem se empenhando no segundo turno, com campanha nas redes sociais e distribuição de materiais, e comemorou o resultado da direita nas urnas. Segundo ele, o "Congresso está configurado para um presidente como Flávio Bolsonaro".
"Se o presidente Bolsonaro teve dificuldade em seu mandato no Senado, agora a lógica se inverteu. O Senado está pronto para a gente fazer as alterações que precisam da Constituição", afirmou.
Ele também repetiu que pretende mudar a Constituição para "redemocratizar o país", sem explicar quais seriam as alterações e desconsiderando que há democracia no Brasil. O presidenciável também rebateu críticas à proposta de entregar "o Brasil nas mãos do Senhor Jesus".
"Eu sempre mentalizei: eu com a faixa [de presidente] colocada pelo meu pai e, antes de fazer o discurso, fazendo uma oração, entregando o Brasil nas mãos do Senhor Jesus. E teve gente que ainda criticou", disse, sugerindo que seus adversários estariam brigando com Jesus Cristo.
À frente no primeiro turno, com cerca de 47% dos votos, o presidenciável do PL ainda ironizou estratégias da reeleição de Lula e disse que o clima na campanha do petista após o resultado no último domingo (4) "era de velório". O presidente ficou com 45% dos votos.
"Quem tem voto no Brasil é a gente. Não é artista, famosinho, não é influencer. É deputado, senador, governador", afirmou Flávio.
O candidato acusou os adversários de propagarem fake news e disse querer "esfregar a verdade na cara" de Lula nos debates. Eles indicaram que vão participar dos confrontos, depois de esvaziarem a participação no primeiro turno.
Flávio fez as declarações ao lado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), senadora eleita pelo Distrito Federal com recorde de votos desde a redemocratização. Em sua fala, Michelle também disse que o anseio do marido é "estar nas ruas" e que, sozinho, o ex-presidente é uma ameaça para ele mesmo.
"Para o meu marido, não é engano para ninguém que, se a gente não estiver ao lado dele, ele é uma ameaça para ele mesmo. Ele não toma medicação, não se alimenta, não faz as atividades. Tive que conciliar [a campanha] com o cuidado com ele. [...] Ele é um siri na lata. O anseio dele é estar nas ruas, é o que a gente faz, é o que nos move."
Flávio também relatou que o pai ficou aliviado com o resultado do primeiro turno, citando a eleição de Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado por Santa Catarina.
O coordenador político da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), disse que a meta é aumentar a votação "onde existe o maior número de votos". Marinho criticou os temas elencados por Lula, como terras raras, e disse que o povo quer saber do preço dos alimentos e segurança.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou estar mapeando uma mobilização de estudantes que está sendo feita pela esquerda. O parlamentar também disse que quer percorrer o Nordeste e ir para lugares onde Flávio não estiver. Segundo ele, a comunicação "está fenomenal".
O PL elegeu em primeiro turno cinco governadores: Jorginho Mello em Santa Catarina; o deputado federal Luciano Zucco no Rio Grande do Sul; o senador Sergio Moro no Paraná; o ex-prefeito Arthur Henrique em Roraima; e o senador Marcos Rogério em Rondônia.
O número pode chegar a sete, caso seja confirmada a vitória de Douglas Ruas no Rio de Janeiro contra o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), cujo resultado ainda depende da decisão da Justiça Eleitoral sobre os votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos). No Amazonas, a candidata do PL, Professora Maria do Carmo, também enfrenta o senador Omar Aziz (PSD) no segundo turno.