07 de outubro de 2026
NOVO LEMA

Lula: 'Para o povo trabalhador, proteção; para bandido, a prisão'

Por Raquel Lopes e Caio Spechoto | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
A declaração de Lula ocorreu durante um encontro, em Brasília, com aliados

Na tentativa de reorganizar o grupo político e reformular o discurso após o primeiro turno da eleição, o presidente Lula (PT) endureceu o discurso contra a criminalidade e disse que a campanha adotou um novo lema em torno do tema.

"Para o povo trabalhador, a proteção. Para o bandido, a prisão. É esse o nosso lema daqui para frente", afirmou o presidente e candidato à reeleição nesta quarta-feira (7).

Lula voltou a defender a PEC da Segurança Pública, que amplia as atribuições da União na área, como medida para combater o crime.

A violência tem sido um assunto desafiador para o atual governo, sobretudo na eleição. Flávio Bolsonaro (PL) e a direita em geral se ancoram em discursos no tema.

A declaração de Lula ocorreu durante um encontro, em Brasília, com aliados eleitos para a Câmara dos Deputados e integrantes da atual bancada. Entre os novos deputados presentes estavam a ex-ministra Anielle Franco (PT-RJ), Ana Elisa (PT-MG), Guilherme Cortez (PSOL-SP), Jones Manoel (PSOL-PE) e Renato Freitas (PT-PR).

A campanha de Lula também tem explorado a segurança pública nas redes sociais e no site do candidato, onde compara as propostas dos dois presidenciáveis. O petista tem apontado que algumas medidas defendidas por Flávio Bolsonaro já foram adotadas pelo atual governo.

Na terça-feira (6), Flávio prometeu aumentar as penas para chefes de organizações criminosas e defendeu maior rigor no combate ao crime. A campanha de Lula rebate a proposta ao afirmar que o endurecimento das penas para líderes de facções já foi aprovado durante a atual gestão com a aprovação da Lei Antifacção, que estabelece penas de 20 a 40 anos de prisão para chefes de organizações criminosas.

Também está na propaganda eleitoral do PT a relação de Flávio com a milícia -o filho de Jair Bolsonaro já empregou, por exemplo, parentes de miliciano do Rio de Janeiro.

No mesmo evento, Lula fez uma autocrítica sobre a campanha do primeiro turno e afirmou que ela foi a menos organizada de suas disputas presidenciais. A declaração foi dada ao lado do coordenador da campanha, Edinho Silva, alvo de críticas de integrantes do PT pela condução da estratégia de reeleição.

"Eu acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Acho que a gente poderia ter feito mais. Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que eu participei desde 1989. E normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta", afirmou Lula.

Este é o terceiro dia de reuniões da organização da campanha com aliados desde o dia do primeiro turno, quando Lula ficou atrás de Flávio na disputa.

A equipe de comunicação de Lula já vem sofrendo com críticas internas e externas pelas decisões, e alas sugerem reformulação no comando-hoje com o ministro da Secom, Sidônio Palmeira; o publicitário Raul Rabelo; e o presidente do PT, Edinho Silva, à frente.

Aliados elencam problemas como atrasos na distribuição de materiais aos estados, falta de conteúdos mais incisivos contra Flávio no início da campanha e interferências da primeira-dama, Janja, nas decisões.

Ao longo dos dias, parte do entorno do petista sugere que nomes como Camilo Santana (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) tenham maior influência nas decisões da campanha.

Os aliados também vêm criticando que as peças da campanha estavam em tom morno, turbinando críticas mais ferrenhas ao rival apenas na reta final do primeiro turno.

Parte dos eleitos e de aliados mais jovens da equipe reforçam que o presidente precisa marcar maior presença em redes sociais, estratégia que foi efetiva em diversos palanques estaduais. Lula chegou a receber a orientação direta para que fizesse "mais selfies". Nesta quarta, o petista já apareceu nas redes aderindo ao novo formato, em um vídeo que pede mobilização nas ruas.

Lula terminou o primeiro turno da eleição presidencial, realizado no último domingo (4), atrás de Flávio. O resultado deixou desanimados diversos de seus aliados, e intensificou as disputas internas que já haviam se manifestado em sua equipe de campanha.