Ingredientes
A galette é uma torta rústica e charmosa, originária da culinária francesa tradicional. Diferente das quiches, sempre redondas, ela não exige formas: oval ou retangular, até mesmo quadrada, sua massa amanteigada e quebradiça é moldada à mão, dobrada delicadamente sobre um recheio suculento de legumes, ervas e queijo.
Já era conhecida na Idade Média, quando o termo designava pães de trigo sarraceno bem sovados, e achatados antes de ganharem o forno. Com o tempo, a receita evoluiu para uma celebração culinária do verão, valorizando ingredientes simples, sazonais e de alta qualidade cultivados no campo. Faz algum tempo que chegou ao Brasil pela via dos restaurantes das metrópoles e dos grandes hotéis.
Hoje aparece até nos self-service porque a facilidade da massa folhada comprada pronta, e a abundância dos nossos legumes durante todo o ano, são um convite a produzi-la a qualquer momento.
A galette salgada (existe a doce, com frutas como maçãs ou geleias como a de morango) é um daqueles tesouros gastronômicos que conquistaram o mundo graças à simplicidade e elegância despretensiosa. Na Bretanha, região noroeste da França conhecida por sua tradição de forte cultura de grãos e manteiga, nasceu como a prima aberta da torta tradicional. Historicamente, os padeiros bretões utilizavam sobras de massa para envolver ingredientes locais do campo e do mar, criando uma crosta crocante com um recheio generosamente à mostra.
Com o passar dos séculos, a receita evoluiu, mas manteve a essência do formato livre. A grande revolução na cozinha caseira contemporânea, no entanto, veio com a popularização da massa folhada, hoje encontrada facilmente nos refrigerados dos supermercados, o que democratizou o preparo. O que antes exigia horas de dobras e descanso de manteiga de repente se transformou em uma solução rápida, permitindo que qualquer cozinheiro amador recrie a textura amanteigada e aerada típica da alta gastronomia em minutos.
No Brasil, essa versatilidade encontrou solo fértil. A culinária brasileira adora pratos que unem sofisticação e praticidade, tornando a galette uma escolha certeira para jantares descontraídos, almoços de fim de semana ou pequenas celebrações. Sua maior virtude reside na flexibilidade inigualável: a massa aceita praticamente qualquer combinação que você tenha na geladeira. Ela transita perfeitamente entre versões robustas com carnes suculentas (como frango desfiado ou bacon), opções cremosas com queijos nobres (como brie, gorgonzola ou o sempre bom catupiry e recheios vibrantes à base de vegetais frescos (a abobrinha em rodelas finas pode se tornar um recheio delicioso). A galette que se vê na foto une a acidez suculenta dos tomates à cremosidade do queijo, emoldurados por uma massa folhada perfeitamente dourada.
Pré-aqueça o forno a 200°C. Forre uma assadeira com papel-manteiga. Desenrole a massa folhada descongelada sobre o papel. Espalhe um dos queijos no centro, deixando uma borda livre de cerca de 4 centímetros. Distribua o alho picado sobre o queijo e arrume por cima os tomates cortados em rodelas, sobrepondo-as levemente. Tempere com sal, pimenta-do-reino e um fio generoso de azeite.
Dobre as bordas livres da massa para dentro, cobrindo parcialmente a base dos tomates e criando uma bordinha rústica. Pincele a massa com a gema de ovo batida para garantir um acabamento dourado e brilhante. Salpique gergelim para conseguir maior crocância. Leve ao forno por aproximadamente 25 minutos, ou até que a massa esteja inflada, crocante e dourada. Retire do forno, decore com as folhas frescas de manjericão e sirva morna ou em temperatura ambiente. Pode ser uma entrada ou um acompanhamento.
Sonia Machiavelli é professora, jornalista, escritora; membro da Academia Francana de Letras