Sob um forte calor na cidade de Calcutá, na casa dos 29ºC, diante de um público abaixo do esperado, com alguns setores do estádio Salt Lake vazios, a seleção brasileira teve uma atuação em ritmo de treino neste sábado (3) e venceu a Índia por 4 a 0, sem grandes dificuldades.
Além das condições climáticas encontradas pelo elenco de Carlo Ancelotti, a fragilidade do adversário —o 138º no ranking da Fifa— também influenciou o comportamento da equipe canarinho no último amistoso da primeira data para jogos de seleções após a disputa da Copa do Mundo.
Embora tenha afastado o caráter de testes do confronto, o treinador italiano aproveitou o jogo para dar oportunidade a jogadores que tiveram pouco espaço neste começo de ciclo, marcado por um empate (1 a 1) e uma vitória (4 a 2) sobre a Austrália, em dois amistosos disputados na casa do adversário.
"Foi um período interessante. Tenho uma ideia muito mais clara para a próxima convocação. Obviamente, não vamos mudar muito, mas eu quero ver outros jovens, que não estavam prontos nesta data Fifa", disse Ancelotti após a goleada sobre os indianos.
Diante dos indianos, o técnico promoveu novas estreias entre os titulares, como Pedro Morisco no gol, Arthur Dias na zaga e Pedro no ataque.
No primeiro tempo, o Brasil teve ampla posse de bola, mas levou 28 minutos para de fato levar perigo ao goleiro Sandhu. Quando conseguiu, o camisa 1 mostrou suas fragilidades. No primeiro chute de Estêvão ao gol, o indiano aceitou a finalização em sua direção, e a equipe brasileira abriu o placar.
Em seguida, nova jogada que passou pelo pé de Estêvão terminou em finalização de Pedro. Os brasileiros ampliaram aos 42 minutos da etapa inicial, outra vez em chute defensável para Sandhu.
Substituto de Raphinha, cortado do jogo por causa de uma lesão, Estêvão celebrou a oportunidade. "Esses minutos que eu recebi foram muito importantes pra mim, pelo ritmo, por tudo, então fico muito feliz."
Na volta do intervalo, ambas as equipes fizeram uma série de mudanças. Até o goleiro indiano deixou a partida. Escalado para substituir Vinicius Junior, Samuel Lino fez o terceiro do Brasil aos 13 minutos.
Depois da vantagem construída, o Brasil manteve o ritmo mais lento até o fim. A Índia, sem recursos para criar dificuldades, pouco ameaçou a equipe brasileira, que administrou o resultado sem precisar acelerar. Antes do fim, porém, Samuel Lino apareceu novamente para fazer o quarto, já nos acréscimos e fechar o placar.
O amistoso, assim, serviu mais para dar minutos e oportunidades a jogadores que ainda buscam espaço no grupo do que para exigir da seleção uma atuação em alto nível.
"Defendemos bem, poderíamos ter mais oportunidades no contra-ataque. Para nós é importante, é claro, fazer mais gols. Mas também temos que melhorar alguns mecanismos na defesa", afirmou Ancelotti.
A partida encerrou a primeira data de jogos de seleções deste novo ciclo. O Brasil volta a campo em novembro para mais dois amistosos. Primeiro, no dia 14, reencontrará o Japão, adversário da equipe brasileira no início do mata-mata da última Copa do Mundo. Na ocasião, a formação de Carlo Ancelotti venceu por 2 a 1 e avançou às oitavas de final. Depois, no dia 17, vai encarar Singapura. Os dois jogos serão disputados no estádio Nacional de Singapura.
Local: Salt Lake Stadium, em Calcutá, na Índia
Árbitro: Ilgiz Tantashev (Uzbequistão)
Auxiliares: Andrey Tsapenko (Uzbequistão) e Timur Gaynullin (Uzbequistão)
Cartões amarelos: Nenhum
Cartões vermelhos: Nenhum
Gols: Estêvão, aos 27 minutos, e Pedro, aos 41, do primeiro tempo; Samuel Lino, aos 12 e aos 49 minutos do segundo tempo
Índia
Singh Sandhu (Singh Gill), Abhishek (Valpuia), Anwar Ali (Mehtab Singh), Varghese (Pramveer) e Mishra (Gupta); Thapa (Nickson), Lalengmawia, Kuruniyan (Sanan Mohammed) e Samad (Lalrindika); Ryan Willians (Partap) e Manvir (Choudhary).
Técnico: Khalid Jamil.
Brasil
Pedro Morisco, Matheuzinho (Vanderson), Marquinhos (Jair Cunha), Arthur Dias (Mauro Jr) e Douglas Santos (Gabriel Magalhães); Andrey Santos (Martinelli), Danilo (Bruno Guimarães) e Gabriel Bontempo (Douglas Luiz); Estêvão (Breno Bidon), Vini Jr. (Samuel Lino) e Pedro (Endrick).
Técnico: Carlo Ancelotti