O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, repetiu o pai, Jair Bolsonaro (PL), no último dia de campanha, com uma motocarreata no interior de São Paulo.
Ao fim do evento, em entrevista à imprensa, acusou ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) de trabalharem pela reeleição do presidente Lula (PT) e afirmou que a Corte precisa "deixar de ser uma delegacia de polícia".
"Temos amigos do Lula no STF fazendo de tudo, dando ‘canetada’ para tentar ajudar o Lula a se reeleger", disse.
Flávio acusou o PT de aparelhar as instituições, afirmando que uma parte da Polícia Federal é utilizada para "perseguir adversários políticos em vários estados".
"O [ministro do STF] Flávio Dino tem um monte de deputado na mão nesse novo 'inquérito do Fim do Mundo' que está com ele. Ele só bota operações para frente contra o espectro que é oposição ao governo Lula."
O senador também criticou o Congresso, que, segundo ele, "está capturado pelo governo e pelo STF".
"Acabam querendo antecipar pautas que têm que ser discutidas após as eleições."
A fala de Flávio ocorre após a notícia de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), agendou o início da tramitação da PEC (proposta de emenda à Constituição) que acaba com a escala 6x1 para a próxima terça-feira (6).
O filho de Bolsonaro disse ainda que quer fazer um governo de pacificação e que tem um compromisso com a democracia, mas não respondeu se aceitará os resultados desse domingo (4) no caso de uma derrota.
Desde o início do ano, Flávio lançou dúvidas sobre a integridade do processo eleitoral em algumas ocasiões, fazendo coro ao discurso do pai. Em março, em discurso em conferência conservadora americana, afirmou que as eleições só serão "livres e justas" se "os votos forem contados corretamente".
Em julho, propagou um dado falso sobre as urnas e exortou observadores internacionais a acompanharem o pleito brasileiro. Em setembro, disse que recrutaria voluntários para atuar como seus fiscais de urna no dia da votação.
A motocarreata deste domingo saiu de Santa Bárbara D'Oeste em direção a Americana, pela rodovia SP 304, percorrendo uma distância de cerca de 20 km. As cidades ficam a aproximadamente duas horas de carro da capital. Flávio chegou ao destino final por volta das 13h.
O senador fluminense estava acompanhado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, e dos deputados André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (SP), que concorrem ao Senado pelo estado. Também participaram outros políticos, como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o deputado federal Mario Frias (PL), envolvido no caso "Dark Horse".
Apoiadores que aguardavam Flávio, na manhã deste sábado (3), fizeram alusões a Nossa Senhora Aparecida após a disseminação da notícia falsa que dizia que o candidato do PL a destituiria como padroeira do Brasil caso eleito presidente.
Por volta das 11h, simpatizantes esperavam o senador no local onde costuma ocorrer a Festa do Peão da cidade. Uma criança estava vestida como Nossa Senhora, com uma coroa e uma veste azul escura até os pés.
O carreiro Julio Staut, 56, apareceu com um carro de boi que levava uma carroça com a imagem da santa. Ele disse ter vindo de Jacutinga, no sul de Minas Gerais, como costuma fazer na abertura de toda Festa do Peão.
"Eu trouxe [Nossa Senhora] para o Flávio vê-la participando do evento. Tenho certeza de que ele não é contra imagens religiosas", afirmou.
No fim de agosto, o filho de Bolsonaro disse nas redes sociais que um de seus primeiros atos, se eleito, será "decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo". Ele não explicou o que isso implicaria para um Estado laico.
Procurada pela Folha em meio à discussão religiosa que ocupou o debate eleitoral às vésperas do primeiro turno, a campanha do senador afirmou que a ação seria apenas "simbólica".
Segundo a equipe de Flávio, caso eleito, ele "fará uma oração antes de ler o termo de posse [...] entregando o Brasil a Jesus Cristo".
O ato deste domingo alude às motociatas que seu pai liderou em meio à pandemia da Covid-19, em 2021.