O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, pediu ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que abra uma investigação contra Lula (PT), seu principal adversário no pleito, para apurar se o presidente atuou a favor do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
A notícia-crime enviada ao ministro nesta quarta-feira (23) trata de mensagens do advogado Walfrido Warde, que fazia parte da defesa de Vorcaro, em que ele fala sobre um suposto uísque que teria sido dado de presente pelo dono do Master a Lula. O advogado também articula encontros entre o ex-banqueiro e o presidente para tratar de assuntos do interesse de Vorcaro. O caso foi noticiado pelo jornal O Globo.
Advogados da campanha de Flávio pedem que Mendonça, relator do caso Master no STF, encaminhe o caso à Procuradoria-Geral da República para que Lula seja investigado sob suspeita de corrupção passiva e advocacia administrativa.
"O presidente Lula teria utilizado de seu cargo de presidente da República como forma de atender interesses ilícitos de Daniel Vorcaro junto ao governo federal, inclusive mediante o recebimento de vantagem indevida (presentes)", diz a peça.
Procurada pelo jornal, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República negou que Lula tenha recebido presentes ou enviado recados para Vorcaro.
Flávio, por sua vez, também manteve relação com Vorcaro, a quem chamou de irmão em mensagens e visitou após a primeira prisão do ex-banqueiro. O senador cobrou do dono do Master repasses para bancar o filme "Dark Horse", a respeito de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso por tentativa de golpe de Estado.
O filho de Bolsonaro é formalmente investigado no Supremo no inquérito que envolve o filme. A Polícia Federal pediu para "apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos".
Vorcaro pagou ao menos R$ 65 milhões de reais para o longa, como revelaram o site The Intercept Brasil e a revista Piauí. O senador não apresentou documentos que detalhem para onde foi o dinheiro transferido pelo ex-banqueiro, apesar de ter defendido a transparência em relação às contas quando o caso eclodiu. Flávio trata a negociação como privada e não apresenta explicações quando questionado sobre o assunto.