22 de setembro de 2026
NA ONU

Lula diz que país seguirá pesquisando novas reservas de petróleo

Por Phillippe Watanabe | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
ONU/Loey Felipe
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, discursa no Debate Geral da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU

O presidente Lula (PT) aproximou a ideia de petróleo à de preservação ambiental durante seu discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta terça-feira (22). Falou também sobre a busca por novas reservas do combustível fóssil na margem equatorial brasileira.

A continuidade da exploração de petróleo vai na contramão das medidas necessárias para frear a crise climática pela qual passa a humanidade.

Na fatia de seu discurso em que falava sobre meio ambiente e redução de emissões de gases-estufa, Lula disse: "Conquistamos nossa autossuficiência em petróleo e seguiremos pesquisando o potencial de novas reservas, como a da margem equatorial. Não renunciaremos à agenda ambiental."

O pedido da Petrobras para pesquisar e a potencial exploração de óleo na margem equatorial atravessou todo o governo Lula.

É nessa região que fica a bacia da Foz do Amazonas, área ambientalmente sensível, que foi alvo de um conturbado processo de licenciamento ambiental. Pesquisadores e ambientalistas se preocupam com a possibilidade de possíveis vazamentos atingirem os ecossistemas da costa norte do país.

A ideia de exploração na região tem apoio de Lula, como reforçado no discurso. "O Brasil vem demonstrando que é possível aliar desenvolvimento econômico com redução de emissões", disse.

Outro ponto de destaque na fala de Lula na ONU, no recorte ambiental, foi a menção ao chamado mapa do caminho para o fim dos combustíveis fósseis. Trata-se de um plano para indicar como as nações podem fazem a transição para a energia renovável, encerrando a dependência de fontes sujas, como petróleo, carvão e gás.

O documento foi prometido na COP30, a cúpula das Nações Unidas sobre mudança climática realizada no ano passado, em Belém. O plano foi prometido pela chefia brasileira do evento após tensões geradas pela ausência de menção a combustíveis fósseis no acordo final da conferência climática. O mapa está previsto para novembro.

Lula mencionou, ainda, a expressiva redução no desmatamento que ocorreu sob seu governo, com Marina Silva —agora candidata ao Senado, por São Paulo— à frente do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

"Continuaremos reduzindo o desmatamento, que caiu pela metade na amazônia e atingiu o menor nível em 11 anos", afirmou Lula, citando o TFFF (Fundo Floresta Tropical para Sempre). "A floresta vale mais em pé do que destruída."

O presidente brasileiro advertiu, porém, que o Brasil tem autoridade moral para rejeitar o que chamou de "medidas protecionistas disfarçadas de apego à causa ambiental". Neste ano, os EUA impuseram taxas ao Brasil e citaram o desmatamento como uma das motivações.

Por fim, Lula tratou da busca por minerais críticos na parcela ambiental de seu pronunciamento. "O Brasil é referência mundial em energia verde. Temos os minerais críticos e as terras raras que o mundo precisa para realizar a transição energética."

Disse, porém, que os recursos naturais pertencem ao povo brasileiro e que serão explorados em benefício dele. "O acesso a nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais", afirmou.

Para o diretor executivo do WWF-Brasil, Mauricio Voivodic, o Brasil construiu posição relevante na agenda internacional de meio ambiente nos últimos anos.

"A liderança internacional ganha força quando é acompanhada por resultados concretos", analisa o especialista. "O desafio agora é dar continuidade a essa trajetória e transformá-la em uma política de longo prazo".