21 de setembro de 2026
RIO GRANDE DO SUL

Temporais com ventos acima de 100 km/h deixam 4 desaparecidos

Por Carlos Vilella | da Folhapress
| Tempo de leitura: 5 min
Volmer Perez/Secom
Outras quatro pessoas estão desaparecidas em Caxias do Sul, cidade que chegou a registrar 159,4 milímetros de chuva

Ventos de mais de 100 km/h e chuvas durante a madrugada desta segunda-feira (21) deixaram ao menos quatro desaparecidos e uma pessoa gravemente ferida no Rio Grande do Sul. Além disso, um tsunami meterológico provocou alagamentos em Santa Catarina.

Pela manhã, o Corpo de Bombeiros gaúcho informou que busca uma mulher de 43 anos, uma adolescente de 13 e um menino de 4 que estavam em um carro arrastado pela correnteza em uma estrada entre Caxias do Sul e Flores da Cunha. Também em Caxias do Sul, os bombeiros procuram um homem que teria caído em uma galeria pluvial enquanto fazia uma limpeza durante a manhã. A identidade das quatro pessoas não foi divulgada.

Em Peltas, no sul do estado, um homem sofreu ferimentos graves no começo da manhã e foi encaminhado ao hospital após sofrer um acidente durante o vendaval. De acordo com a Defesa Civil municipal, ele havia subido no telhado de casa para fazer um conserto. Não há informações atualizadas sobre o seu estado de saúde.

Também em Pelotas, a Polícia Civil também apura as circunstâncias da morte de um motociclista encontrado caído perto de uma fiação elétrica. O homem de 70 anos, que não teve a identidade divulgada, recebeu atendimento de populares, mas morreu no local. A morte foi confirmada pelo prefeito Fernando Marroni (PT) em entrevista a uma rádio local nesta tarde.

No bairro Colina do Sol, a parede de um pavilhão desabou sobre um restaurante e destruiu parte da estrutura do estabelecimento. Ninguém ficou ferido.

O vento também derrubou uma parte da fachada do estádio de futebol Boca do Lobo, sede do Esporte Clube Pelotas.

As cinco estações de tratamento de água de Pelotas tiveram as operações interrompidas devido à falta de luz e danos estruturais causados pelo vento. Até o meio da manhã, o atendimento ainda não havia sido regularizado.

Mais de 890 mil pessoas ficaram sem luz no começo da manhã em todo o estado. Pelotas registrou o maior número de pontos sem energia no estado, com 94,3 mil unidades sem luz após um acumulado de chuva de 42 mm e ventos que chegaram a 89 km/h.

O maior acumulado de chuvas registrado até o momento no estado foi na Serra Gaúcha. Em Caxias do Sul, o volume foi de 162 mm até o fim da manhã, de acordo com a MetSul Meteorologia —quase toda a média prevista para todo o mês, de 181 mm. A chuva chegou a 171 mm em Farroupilha e 163 mm em Flores da Cunha.

A chuva na Serra causou a elevação de rios e arroios, e trechos do rio Caí devem passar da cota de inundação ao longo da tarde.

Também houve queda de energia para 48 mil pessoas em Porto Alegre e 32,6 mil em Bagé. Segundo a concessionária CEEE Equatorial, eram 591 mil clientes sem luz por volta das 7h. Na área da CPFL RGE, eram 303 mil.

Segundo a Defesa Civil estadual, 64 municípios registraram ocorrências durante a madrugada. Ao menos 624 pessoas ficaram desalojadas e quatro estão desabrigadas no estado.

Em Rio Grande, a cobertura de um posto de gasolina desabou durante a madrugada. Os ventos chegaram a 113,7 km/h segundo informações do Climatempo, a segunda maior velocidade registrada no estado, atrás apenas de São Jerônimo, com 115,8 km/h.

Em Nova Santa Rita, na região metropolitana de Porto Alegre, o vendaval provocou danos em um centro logístico e tombou dois caminhões estacionados no local, sem feridos.

Em Porto Alegre, quedas de árvores interromperam duas vias e ao menos 21 cruzamentos tiveram problemas com semáforos. Além disso, uma árvore caiu sobre duas casas no bairro Lomba do Pinheiro. O acumulado de chuva na capital entre 0h e 8h superou os 40 mm em áreas da zona norte.

Ao menos seis estradas federais e cinco estaduais estão com o trânsito parcial ou totalmente bloqueado devido à queda de árvores.

Tsunami atinge Santa Catarina

Uma elevação súbita do nível do mar provocou alagamentos em Jaguaruna, Laguna e Imbituba, no litoral sul de Santa Catarina, por volta das 6h desta segunda-feira (21). De acordo com a Defesa Civil estadual, o fenômeno pode ser classificado como tsunami meteorológico.

Há relatos de vias com acúmulo de água e areia, danos em edificações e barcos arrastados. As equipes das defesas civis municipais nas três cidades ainda estão em campo avaliando as áreas atingidas. Até o momento, não há registro de vítimas.

A Prefeitura de Laguna disse que o episódio, que ocorreu em torno das 5h50 da manhã, surpreendeu pescadores da região e que a força da água arrastou redes de pesca e equipamentos. Algumas embarcações foram deslocadas. Em Jaguaruna, a prefeitura exibiu imagens da sujeira deixada nas ruas após o avanço do mar.

Em Jaguaruna, a Defesa Civil afirmou que a água avançou duas quadras para dentro da praia de Campo Bom, derrubou muros e provocou acúmulo de areia nas vias. A água invadiu as ruas por volta das 5h40, pouco antes do registro em Laguna.

O fenômeno ocorreu em meio ao clima instável que provocou temporais e ventos de mais de 100 km/h no sul do Brasil.

Segundo a Defesa Civil, o fenômeno é "raro e de difícil previsibilidade", e está relacionado à chegada de uma frente fria e a a ventos de 60 km/h a 90 km/h. Diferentemente do tsunami de origem sísmica, o tsunami meteorológico não tem relação com terremotos.

O órgão informou ter registrado outros tsunamis do tipo no litoral catarinense em 11 de novembro de 2023 na Praia do Cardoso, em Laguna, e em 2 de dezembro de 2024, em Jaguaruna.

"O tsunami meteorológico está associado a alterações bruscas na pressão atmosférica e à atuação de ventos intensos sobre o mar, condições que podem provocar uma elevação rápida e temporária do nível da água e favorecer o avanço do mar em direção à faixa costeira", diz nota do órgão.