20 de setembro de 2026
MAPA DAS MORTES

Quatro avenidas concentram 17% das mortes no trânsito de Campinas

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/PMC
Quatro grandes avenidas concentram 17% das mortes urbanas; noites e madrugadas de fins de semana aparecem como período crítico

Quatro dos principais corredores viários de Campinas concentram uma parcela significativa das mortes no trânsito da cidade. John Boyd Dunlop, Comendador Aladino Selmi, Ruy Rodriguez e Prestes Maia responderam, juntas, por 17% dos óbitos registrados nas vias urbanas entre 2023 e 2025, segundo o novo Relatório Anual de Sinistralidade da Emdec.

O levantamento também permite identificar um período especialmente crítico: noites e madrugadas dos fins de semana. Somente em 2025, 41 mortes ocorreram entre 18h e 5h59 aos sábados e domingos, correspondendo a aproximadamente 29% das vítimas fatais do ano.

Quando o mapa e o relógio são cruzados com os fatores associados aos acidentes, aparecem dois elementos recorrentes: velocidade e consumo de álcool.

John Boyd Dunlop no topo

Entre as quatro avenidas destacadas pelo levantamento, a John Boyd Dunlop permanece com a maior participação nas mortes. Sozinha, a via respondeu por 8% dos óbitos registrados nas vias urbanas de Campinas nos últimos três anos.

Apesar de continuar no topo do levantamento, a avenida apresentou uma redução importante. Segundo a Emdec, as mortes na John Boyd Dunlop caíram 69% entre 2021 e 2025. Considerando apenas a comparação entre 2024 e 2025, a queda foi de 43%.

A avenida passou nos últimos anos por intervenções viárias e ampliação da fiscalização, incluindo novos equipamentos de controle eletrônico.

Fim de semana concentra mortes à noite

O horário das ocorrências revela outro padrão importante.

Das mortes registradas em 2025, 41 aconteceram nas noites e madrugadas dos fins de semana, considerando o intervalo entre 18h e 5h59.

O período concentrou 29,1% dos óbitos analisados, indicando maior exposição justamente nas horas tradicionalmente associadas a deslocamentos de lazer, menor movimento nas vias e possibilidade de velocidades mais elevadas.

É também nesse contexto que ganha relevância outro dado do relatório: a presença do álcool entre as ocorrências fatais.

Velocidade aparece em 53 casos; álcool, em 48

A Emdec conseguiu analisar os fatores de risco envolvidos em 139 sinistros.

A velocidade apareceu em 53 deles, ou 38,1%, enquanto o consumo de álcool foi identificado em 48 ocorrências, equivalentes a 34,5%. Em 19 acidentes fatais, os dois fatores apareceram simultaneamente.

Entre os condutores e pedestres mortos que foram submetidos a testes, 42,7% apresentavam presença de álcool no organismo, considerando acidentes em vias urbanas e rodovias.

O relatório também relaciona outros fatores às ocorrências fatais: comportamento do pedestre apareceu em 33 casos, uso de drogas ou medicamentos em 18, falta de habilitação em 17 e desrespeito à sinalização em 12.

Colisões lideram os acidentes fatais nas ruas

Campinas contabilizou 74 sinistros fatais nas vias urbanas em 2025.

As colisões foram o tipo mais frequente, com 29 ocorrências, correspondendo a 39,2% do total. Na sequência aparecem 23 atropelamentos de pedestres e 14 choques contra obstáculos fixos.

Somadas, essas três categorias representam a grande maioria dos acidentes que terminaram em morte nas ruas e avenidas da cidade.

No conjunto de Campinas, incluindo também as rodovias, foram 142 vítimas fatais em 141 sinistros ao longo do ano.

Queda em 2025 não elimina pontos críticos

O número total de mortes caiu 5,3% em 2025, interrompendo uma sequência de alta ou estabilidade observada desde 2020. Ainda assim, o anuário mostra que o risco permanece concentrado em determinados corredores, horários e comportamentos.

Os dados preliminares de 2026 apontam nova redução. Até julho, a Emdec contabilizava 14 mortes a menos nas vias urbanas, uma queda de 35% frente ao mesmo período do ano passado.

O desafio agora é saber se essa redução será mantida justamente nos pontos e horários que o histórico recente identifica como os mais críticos do trânsito de Campinas.