19 de setembro de 2026
QUEM MORRE NAS RUAS

Homens e jovens dominam perfil das mortes no trânsito em Campinas

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/PMC
Homens foram 84,5% das 142 vítimas de 2025; jovens de 18 a 29 anos lideram por faixa etária e motociclistas dominam esse grupo.

O retrato das mortes no trânsito de Campinas em 2025 tem sexo, idade e meio de transporte bastante definidos. Das 142 pessoas que perderam a vida em acidentes nas ruas e rodovias do município, 120 eram homens, enquanto a faixa entre 18 e 29 anos concentrou o maior número de vítimas. Entre os jovens mortos, quase dois em cada três estavam em uma motocicleta.

Os dados fazem parte do Relatório Anual de Sinistralidade no Trânsito da Emdec. Embora o número total de mortes tenha recuado 5,3% na comparação com 2024, o levantamento detalhado revela quais grupos continuam mais expostos às ocorrências de maior gravidade.

Os homens representaram 84,5% de todas as mortes registradas no ano. Foram 120 vítimas masculinas contra apenas 22 mulheres, que corresponderam a 15,5% do total.

Jovens são a faixa etária mais atingida

Entre as diferentes idades analisadas, o maior número de óbitos ocorreu entre pessoas de 18 a 29 anos. Foram 41 mortes nessa faixa, o equivalente a 28,9% das 142 vítimas registradas durante o ano.

O predomínio masculino também se repete entre os jovens: 35 dos 41 mortos eram homens e apenas seis eram mulheres.

Mas é quando os dados são cruzados com o tipo de veículo que o perfil fica ainda mais evidente. Dos 41 jovens mortos, 26 eram motociclistas ou garupas, uma participação de 63,4%.

Ou seja, mais de seis em cada dez vítimas fatais entre 18 e 29 anos estavam sobre uma motocicleta no momento do acidente.

Metade de todos os mortos estava em motos

O peso das motocicletas não se limita aos mais jovens. Considerando todas as idades, 72 das 142 vítimas eram motociclistas ou garupas, o equivalente a 50,7% das mortes.

Isso significa que, em média, um motociclista ou passageiro de moto morreu a cada cinco dias em Campinas ao longo de 2025.

Os pedestres aparecem como o segundo grupo mais atingido, com 45 mortes, ou 31,7% do total. Outros 20 óbitos foram de ocupantes de diferentes tipos de veículos e cinco envolveram ciclistas.

A soma mostra que motociclistas e pedestres responderam juntos por 117 das 142 mortes, mais de oito em cada dez vítimas registradas no município.

Entre idosos, risco se desloca para os pedestres

O perfil muda quando são observadas as vítimas com 60 anos ou mais.

Nesse grupo, os pedestres aparecem como os mais vulneráveis. Segundo o relatório, 12 vítimas idosas, equivalentes a 66,7% das mortes nessa faixa etária, estavam a pé.

Os números mostram, portanto, duas vulnerabilidades distintas: entre os mais jovens, as motocicletas têm peso predominante; entre os idosos, a maior exposição aparece nos deslocamentos como pedestre.

142 mortes e uma década de vítimas

Campinas terminou 2025 com 142 mortes em 141 sinistros fatais. Foram 74 vítimas em vias urbanas e outras 68 nas rodovias que atravessam o município. Apesar da redução registrada no último ano, 1.388 pessoas morreram no trânsito de Campinas ao longo da última década.

A taxa de mortalidade ficou em 11,95 mortes para cada 100 mil habitantes, recuo de 5,5% em relação ao período anterior.

Dados preliminares de 2026 indicam manutenção da tendência de queda. Até julho, segundo a Emdec, houve redução de 35% nas mortes nas vias urbanas, com 14 óbitos a menos do que no mesmo período de 2025.