18 de setembro de 2026
OPINIÃO

Entre o assédio e a consciência


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Estamos a apenas duas semanas das eleições. O momento exige vigilância redobrada sobre a destinação do nosso voto, afinal, as pessoas escolhidas assumirão o dever de nos representar nas Assembleias Legislativas, na Câmara dos Deputados, no Senado Federal e na Presidência da República. Em todo o pleito, como sempre ocorre, o período é fartamente irrigado por promessas que acenam para “um mundo ideal”, no qual todas as soluções parecem simples e imediatas.

Entretanto, longe das ilusões do palanque, a realidade é sombria. Reportagens e dados estatísticos denunciam a escalada do assédio eleitoral – no trabalho ou no templo religioso, na escola onde, por exemplo, líderes de fé e empregadores coagem fieis e trabalhadores a votarem em candidatos sob ameaça velada ou ostensiva de demissão ou punição espiritual. Trata-se de conduta abominável e que rasga o dever de neutralidade e fere a liberdade de consciência.

A Justiça e o Ministério Público entendem que a pressão em favor de qualquer candidatura configura assédio eleitoral e as denúncias podem ser anônimas e sigilosas.

Para além da coerção externa, a contradição interna nos convoca à reflexão provocada pelo Prof. Hélio Santos, afirmando que: “somos os únicos que votam no inimigo” e, nessa caminhada, no recorte lido por “minorias” (mulheres, professores, pobres, negros, lgbt, idosos, religiosos, estrangeiros...) historicamente mantidas à margem das instâncias de poder e atingida em cheio pela não entrega e implementação de políticas públicas, vê-se, muitas vezes, iludidas por discursos que perpetuam a subalternidade, espantosamente entregam votos a candidatos com falas ofensivas!

Como compreender tal fenômeno? O candidato ataca diretamente tais segmentos, desqualificando-os por variados modos, tempo e lugar, ainda assim recebem votos dessas pessoas!

É preciso resgatar urgentemente a Consciência do Voto e o pertencimento para avaliar o impacto concreto do voto, diante do cenário polarização que se desenha para os executivos estadual e federal. O eleitorado tem nas mãos o poder de decidir o futuro local e do País. Votar de forma consciente e antirracista, por exemplo, é o único meio de que dispomos para romper com a lógica da submissão e evitar a entrega do nosso destino àqueles que lutam pelo nosso próprio apagamento.

Assim, pesquise com atenção o histórico do candidato em especial a forma pela qual enxerga e trata a alegada “minoria” para, então, consolidar seu importante voto, e não se deixe levar por aquele que, somente nesse período, lembra dos bairros periféricos, fazem uso maldoso da fé quer pela confiança e ingenuidade, quer pela maldade ou demonização ou se autodeclara negro somente nesses momentos.

Há informes que a Região Metropolitana de Jundiaí poderá eleger 2 deputados federais e 3 estaduais. Logo pesquisemos bem e entreguemos os votos à candidatura que mais se identificar com cada um de nós e não nos deixemos levar por promessas mirabolantes e fantasiosas e que tenhamos representação no parlamento, lembrando que contamos com bons candidatos.

 

Eginaldo Honório é advogado, comendador e  atual presidente da Comissão da Igualdade Racial OAB/Jundiaí