Os candidatos do PCB à Presidência da República, ao Governo de São Paulo e ao Senado participaram, nesta quarta-feira, 16, de uma atividade de campanha em Franca. Edmilson Costa, Carlos Machado e Peter Maahs fizeram panfletagem e conversaram com trabalhadores na porta do Campus Magalu, na Vila Santa Cruz, onde apresentaram propostas da legenda e discutiram a situação econômica da cidade e da região.
A reindustrialização foi um dos principais temas apresentados pelos candidatos. Segundo eles, Franca, pela tradição na indústria calçadista, deve ter papel de destaque no processo defendido pelo partido.
Candidato à Presidência, Edmilson Costa, economista, professor e dirigente partidário, afirmou que a escolha de Franca para a atividade está relacionada à importância industrial do município e ao processo de desindustrialização apontado pelo PCB.
Segundo ele, a proposta é criar incentivos para que a cidade retome o protagonismo industrial, desta vez com investimentos em novas tecnologias.
“Nosso objetivo é reindustrializar o país e, no caso de Franca, ter incentivos para que Franca retome o seu processo industrial, agora em novas bases, com inteligência artificial, com microeletrônica, e com o conjunto das fronteiras tecnológicas.”
Entre as propostas nacionais apresentadas por Costa estão a revogação da legislação neoliberal dos últimos 35 anos, a estatização do sistema financeiro, a retomada de empresas privatizadas e a criação do Banco dos Trabalhadores.
Na área trabalhista, o candidato defendeu jornada de 30 horas semanais sem redução salarial e o fim da escala 6 por 1. Também propôs a recomposição do poder de compra dos trabalhadores e afirmou que pretende elevar o salário mínimo, em quatro anos, a R$ 7.900, valor que citou como referência do Dieese.
Sobre Franca, Costa afirmou que a cidade está entre as prioridades do projeto de industrialização do partido.
“Nós vamos incentivar e subsidiar todo o processo de reconstrução industrial de Franca, de forma que ela volte a ter um protagonismo no estado de São Paulo.”
Candidato do PCB ao Governo de São Paulo, Carlos Machado também participou da atividade. Professor de História da rede pública estadual e natural de Franca, ele explicou que inicialmente havia sido lançado como candidato ao Senado, mas teve a candidatura alterada durante o processo eleitoral.
Segundo Machado, a mudança ocorreu após o partido avaliar a viabilidade de seu nome para representar o projeto da legenda no Estado.
Uma das principais propostas apresentadas por Machado é a reestatização de empresas e serviços. Ele criticou o modelo de privatizações e afirmou que, em sua avaliação, o Estado acaba mantendo parte dos investimentos enquanto a iniciativa privada fica com os lucros.
O candidato citou como exemplos as rodovias, o transporte sobre trilhos e a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Sobre a companhia de saneamento, afirmou que o serviço teria ficado mais caro após a privatização.
Machado também defendeu transformações estruturais no Estado. Segundo ele, o programa do PCB tem 186 páginas e inclui propostas específicas para Franca e região.
“Nós temos uma grande capacidade industrial, principalmente na área do calçado. Nós temos, inclusive, uma grande vocação para o e-commerce. E para que isso seja cada vez mais eficiente, é necessário investir em infraestrutura.”
O candidato afirmou ainda que pretende melhorar a infraestrutura regional e relacionou os investimentos à redução do custo de vida.
“Pretendo desenvolver a região, baseado, obviamente, numa visão onde a classe trabalhadora tem protagonismo.”
Candidato ao Senado por São Paulo, Peter Maahs, diretor escolar em Cubatão, também colocou a reindustrialização entre as principais propostas para Franca e região.
Ele afirmou que o objetivo é estimular a criação de empregos com maior remuneração e maior valor agregado, por meio de uma parceria entre os governos estadual e federal, com apoio do Senado.
“A gente pretende que a partir de um incentivo, um trabalho parceiro tanto do governo do estado quanto do governo federal, com o apoio do Senado, que a gente possa voltar a tornar Franca e região um grande polo industrial com bons empregos e bons salários.”
Maahs resumiu o programa do PCB em três eixos: reindustrialização de São Paulo e do Brasil, “radicalização da democracia” e “desmercantilização da vida”.
Na avaliação do candidato, saúde e educação devem ser tratadas como direitos e não como mercadorias.
Entre as propostas apresentadas por Maahs está a extinção do Senado. Segundo ele, a ideia integra o eixo de redemocratização defendido pelo partido.
A proposta prevê um Legislativo unicameral, com metade dos integrantes eleitos por eleições universais e a outra metade escolhida por representantes de trabalhadores, sindicatos, movimentos sociais e movimentos estudantis.
Para Maahs, o atual modelo do Senado seria um obstáculo à participação popular direta nas decisões sobre políticas públicas.
Durante a entrevista, Carlos Machado também foi questionado sobre pesquisas recentes que registraram 3% das intenções de voto para sua candidatura ao Governo de São Paulo. O percentual consta de levantamento Datafolha divulgado em 11 de setembro, que ouviu 1.610 eleitores entre 8 e 11 de setembro e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
O candidato afirmou que considera o percentual relevante para uma candidatura de menor conhecimento público e de um partido de menor estrutura eleitoral. Também relacionou o resultado à existência, segundo sua avaliação, de uma parcela do eleitorado interessada em mudanças estruturais.
Machado mencionou ainda os índices de abstenção registrados na última eleição para sustentar seu argumento sobre o que chamou de “desilusão do povo com relação às eleições”.
A atividade do PCB ocorreu na porta do Campus Magalu, na rua Arnulfo de Lima, 2.385, na Vila Santa Cruz, durante uma ação de panfletagem e conversa com trabalhadores.