17 de setembro de 2026
VISITA À CIDADE

Vamos reconstruir a indústria francana, diz presidenciável do PCB

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Sampi/Franca
Pedro Dartibale/GCN
Peter Maahs, Carlos Machado, Tito Flávio e Edmilson Costa

Os candidatos do PCB à Presidência da República, ao Governo de São Paulo e ao Senado participaram, nesta quarta-feira, 16, de uma atividade de campanha em Franca. Edmilson Costa, Carlos Machado e Peter Maahs fizeram panfletagem e conversaram com trabalhadores na porta do Campus Magalu, na Vila Santa Cruz, onde apresentaram propostas da legenda e discutiram a situação econômica da cidade e da região.

A reindustrialização foi um dos principais temas apresentados pelos candidatos. Segundo eles, Franca, pela tradição na indústria calçadista, deve ter papel de destaque no processo defendido pelo partido.

Costa defende novas tecnologias na indústria

Candidato à Presidência, Edmilson Costa, economista, professor e dirigente partidário, afirmou que a escolha de Franca para a atividade está relacionada à importância industrial do município e ao processo de desindustrialização apontado pelo PCB.

Segundo ele, a proposta é criar incentivos para que a cidade retome o protagonismo industrial, desta vez com investimentos em novas tecnologias.

“Nosso objetivo é reindustrializar o país e, no caso de Franca, ter incentivos para que Franca retome o seu processo industrial, agora em novas bases, com inteligência artificial, com microeletrônica, e com o conjunto das fronteiras tecnológicas.”

Entre as propostas nacionais apresentadas por Costa estão a revogação da legislação neoliberal dos últimos 35 anos, a estatização do sistema financeiro, a retomada de empresas privatizadas e a criação do Banco dos Trabalhadores.

Na área trabalhista, o candidato defendeu jornada de 30 horas semanais sem redução salarial e o fim da escala 6 por 1. Também propôs a recomposição do poder de compra dos trabalhadores e afirmou que pretende elevar o salário mínimo, em quatro anos, a R$ 7.900, valor que citou como referência do Dieese.

Sobre Franca, Costa afirmou que a cidade está entre as prioridades do projeto de industrialização do partido.

“Nós vamos incentivar e subsidiar todo o processo de reconstrução industrial de Franca, de forma que ela volte a ter um protagonismo no estado de São Paulo.”

Candidato de Franca ao Estado

Candidato do PCB ao Governo de São Paulo, Carlos Machado também participou da atividade. Professor de História da rede pública estadual e natural de Franca, ele explicou que inicialmente havia sido lançado como candidato ao Senado, mas teve a candidatura alterada durante o processo eleitoral.

Segundo Machado, a mudança ocorreu após o partido avaliar a viabilidade de seu nome para representar o projeto da legenda no Estado.

Uma das principais propostas apresentadas por Machado é a reestatização de empresas e serviços. Ele criticou o modelo de privatizações e afirmou que, em sua avaliação, o Estado acaba mantendo parte dos investimentos enquanto a iniciativa privada fica com os lucros.

O candidato citou como exemplos as rodovias, o transporte sobre trilhos e a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Sobre a companhia de saneamento, afirmou que o serviço teria ficado mais caro após a privatização.

Machado também defendeu transformações estruturais no Estado. Segundo ele, o programa do PCB tem 186 páginas e inclui propostas específicas para Franca e região.

“Nós temos uma grande capacidade industrial, principalmente na área do calçado. Nós temos, inclusive, uma grande vocação para o e-commerce. E para que isso seja cada vez mais eficiente, é necessário investir em infraestrutura.”

O candidato afirmou ainda que pretende melhorar a infraestrutura regional e relacionou os investimentos à redução do custo de vida.

“Pretendo desenvolver a região, baseado, obviamente, numa visão onde a classe trabalhadora tem protagonismo.”

Candidato ao Senado propõe extinção da Casa

Candidato ao Senado por São Paulo, Peter Maahs, diretor escolar em Cubatão, também colocou a reindustrialização entre as principais propostas para Franca e região.

Ele afirmou que o objetivo é estimular a criação de empregos com maior remuneração e maior valor agregado, por meio de uma parceria entre os governos estadual e federal, com apoio do Senado.

“A gente pretende que a partir de um incentivo, um trabalho parceiro tanto do governo do estado quanto do governo federal, com o apoio do Senado, que a gente possa voltar a tornar Franca e região um grande polo industrial com bons empregos e bons salários.”

Maahs resumiu o programa do PCB em três eixos: reindustrialização de São Paulo e do Brasil, “radicalização da democracia” e “desmercantilização da vida”.

Na avaliação do candidato, saúde e educação devem ser tratadas como direitos e não como mercadorias.

Entre as propostas apresentadas por Maahs está a extinção do Senado. Segundo ele, a ideia integra o eixo de redemocratização defendido pelo partido.

A proposta prevê um Legislativo unicameral, com metade dos integrantes eleitos por eleições universais e a outra metade escolhida por representantes de trabalhadores, sindicatos, movimentos sociais e movimentos estudantis.

Para Maahs, o atual modelo do Senado seria um obstáculo à participação popular direta nas decisões sobre políticas públicas.

Machado comenta pesquisa

Durante a entrevista, Carlos Machado também foi questionado sobre pesquisas recentes que registraram 3% das intenções de voto para sua candidatura ao Governo de São Paulo. O percentual consta de levantamento Datafolha divulgado em 11 de setembro, que ouviu 1.610 eleitores entre 8 e 11 de setembro e tem margem de erro de dois pontos percentuais. 

O candidato afirmou que considera o percentual relevante para uma candidatura de menor conhecimento público e de um partido de menor estrutura eleitoral. Também relacionou o resultado à existência, segundo sua avaliação, de uma parcela do eleitorado interessada em mudanças estruturais.

Machado mencionou ainda os índices de abstenção registrados na última eleição para sustentar seu argumento sobre o que chamou de “desilusão do povo com relação às eleições”.

A atividade do PCB ocorreu na porta do Campus Magalu, na rua Arnulfo de Lima, 2.385, na Vila Santa Cruz, durante uma ação de panfletagem e conversa com trabalhadores.