15 de setembro de 2026
CHUVARADA

No Vale do Ribeira, moradores evacuam áreas em meio a enchentes

Por André Fleury Moraes | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/TV Tribuna
Rua alagada em Iguape, no Vale do Ribeira, no interior de São Paulo

 Moradores de cidades do Vale do Ribeira, no interior de São Paulo, estão evacuando áreas de casas e comércios com receio das enchentes que atingem a região, onde a situação é crítica.

Dez das 22 cidades que integram a região do Vale do lado paulista estão entre as que mais receberam chuva nas últimas 72 horas, conforme boletim da Defesa Civil divulgado nesta segunda (14).

O município de Iguape foi o mais afetado, com 158 mm de precipitação nas últimas 72 horas, seguido por Itaóca (145 mm), Apiaí (122 mm), Barra do Chapéu (107 mm) e Registro (106 mm).

O cenário é preocupante pela cheia do rio Ribeira de Iguape, que subiu cerca de nove metros desde o início das chuvas.

Imagens divulgadas pela Defesa Civil mostram que a cidade de Eldorado, uma das que compõem o Vale, amanheceu embaixo d'água nesta segunda-feira.

A situação ocorre um dia depois de o prefeito Noel Castelo da Costa (Solidariedade) pedir em vídeo divulgado nas redes sociais que a população procurasse lugares elevados.

"Vamos correr para lugares altos. Vizinhos, parentes, vocês da zona rural, vão para os lugares altos. Uma equipe do governo do estado está vindo com mantimentos e tendas para nós montarmos abrigo porque a situação fugiu do controle", declarou.

Ainda no domingo, 54 famílias foram retiradas de suas casas pela Defesa Civil em Eldorado.

O nível das enchentes deve crescer ainda mais ante a alta vazão da represa do rio Capivari, em Campina Grande do Sul, no Paraná. A liberação da vazão tem influência direta sobre o volume das enchentes, já que o excedente de água do Capivari cai no Ribeira de Iguape.

Eldorado não foi a única cidade do vale a registrar problemas pelo transbordamento do rio. Em Sete Barras, por exemplo, as enchentes inundaram vias e propriedades rurais e afetaram pelo menos 50 moradias.

O monitoramento hidrológico continua sob atenção, disse o governo estadual.

Dos 29 pontos acompanhados pela SP Águas na bacia do Ribeira de Iguape, seis estão em extravasamento, um em emergência - em Registro -, seis em alerta e cinco em atenção.

A previsão do tempo não indica trégua. Os volumes podem chegar a novos 100 mm de chuva no Vale do Ribeira, em Itapeva e em Registro até esta segunda, por conta de frentes de umidade vindas da Amazônia e do oceano Atlântico. Na Baixada Santista e no Litoral norte, os acumulados podem se aproximar de 150 mm.

Paraná tem 2,4 mil desalojados e dois desaparecidos

As fortes chuvas que atingem o Paraná desde quarta-feira (9) provocaram a cheia de rios que cortam a região do Vale do Ribeira e deixaram destruição em redes de abastecimento de água e energia, além de interdições em rodovias. Em todo o estado, 2.468 precisaram deixar suas casas, segundo boletim da Defesa Civil divulgado na manhã desta segunda-feira (14).

Em Rio Branco do Sul, duas pessoas estão desaparecidas após um carro ser levado por uma enxurrada.

Conforme o Corpo de Bombeiros, o motorista e um passageiro tentaram atravessar uma ponte que estava submersa, na manhã deste domingo (13), e foram levados pela correnteza. O veículo foi localizado no Rio Ribeira e bombeiros seguem nas buscas pelas vítimas.

A cidade de Adrianópolis está isolada, sem acesso a partir de Curitiba. O único acesso disponível é pelo estado de São Paulo. O isolamento ocorre porque um ponto da BR-467, no quilômetro 6, cedeu integralmente.

Em Tunas do Paraná, a BR-476 também está totalmente interditada no quilômetro 46, devido à obstrução da pista por queda de barreira sobre a via.

O Governo do Paraná montou um Gabinete de Gestão Integrada, coordenado pela Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública), para articular as ações em parceria com órgãos federais e municípios