13 de setembro de 2026
'GUERRA ABERTA'

Aliados de Moraes cogitam alegar suspeição de Kassio e Fux

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min
Isac Nobrega e Nelson Jr./PR e STF
Fux e Nunes Marques

BRASÍLIA - Ministros do grupo de Alexandre de Moraes no STF (Supremo Tribunal Federal) estudam pedir a suspeição de Kassio Nunes Marques e Luiz Fux no julgamento de terça-feira (15), quando o plenário se reúne pela primeira vez para debater a crise inédita que se abateu sobre a corte.

Moraes é apoiado por Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. A ideia é que um deles apresente uma questão de ordem para discutir se Kassio e Fux, os dois mais fiéis aliados de André Mendonça, podem mesmo votar, diante de supostos elos de seus filhos com o Banco Master.

A medida faz parte da estratégia da ala pró-Moraes para fazer frente ao presidente do STF, Edson Fachin, que pautou o caso que discute as suspeitas que recaem sob Moraes, mas deixou de fora o processo que suscita abuso de autoridade e métodos ilegais por parte de Mendonça.

Como mostrou a coluna Mônica Bergamo, esses ministros têm dito que, se for para passar o Supremo a limpo, é oportuno que os "podres" de todos os demais sejam expostos no mesmo dia. Um magistrado classifica a sessão vindoura como uma ''carnificina institucional" em potencial.

A questão de ordem deve apontar que uma consultoria ligada ao advogado Kevin Marques filho de Kassio, recebeu R$ 6,6 milhões do Master, assim como o advogado Rodrigo Fux, filho de Fux, foi um dos convidados do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, em um camarote VIP da Sapucaí, em 2025.

Moraes e seus aliados avaliam que essas duas notícias podem apontar para um conflito de interesse, e que é o plenário precisa analisar isso antes que o julgamento avance para o mérito das mensagens enviadas por Vorcaro.

Embora o ministro Dias Toffoli tenha sinalizado que não vai votar, pois já se declarou suspeito em casos do Master, auxiliares de três magistrados da corte consideram impossível que a corte não aborde o relatório que o aponta como beneficiário final de um fundo que recebeu R$ 35 milhões de Vorcaro.

Além disso, a artilharia da ala pró-Moraes deve expor o encontro que o próprio Mendonça teve com Vorcaro em 2025, e a suspeita de que o ministro teria recebido um terno como presente de pessoas ligadas ao ex-banqueiro, o que ele nega.

Decano da corte, Gilmar propôs formalmente a Fachin que os casos Moraes e Mendonça fossem julgados em conjunto, por entender que os dois processos são correlatos e indissociáveis, mas o presidente do STF negou a solicitação.

Fachin manteve a sessão sobre Moraes na terça e disse que as alegações sobre abuso de autoridade e enviesamento de investigações por parte de Mendonça serão analisadas na semana seguinte, em uma sessão marcada para o dia 23.

Segundo o presidente do STF, o prazo que ele deu para Mendonça se manifestar sobre sua postura na relatoria do Master só se encerra dia 21 —sendo assim, o caso ainda não estará pronto para ser julgado nesta terça.

Com a decisão de Fachin de fazer dois julgamentos separados, pelo menos cinco ministros da corte avaliam que é alta a chance de o julgamento ser interrompido por um pedido de vista (mais tempo para analisar os autos, com prazo de até 90 dias).

Seria uma forma de o grupo de Moraes ganhar tempo e resolver o problema de prazos apontado por Fachin, permitindo que futuramente os dois casos possam ser examinados em uma mesma sessão plenária.

Magistrados também apontam para a falta de tempo hábil para analisar a imensidão de documentos do caso Master tornada pública por Mendonça nas noites de quinta (10) e sexta-feira (11), atendendo a pedido do presidente do STF.

Pessoas próximas de Kassio afirmam que ele já recebeu recados de que seu filho será mencionado no julgamento. Ele tem afirmado que se sente apto a votar porque não tem relação alguma com Vorcaro, mas que se houver maioria para reconhecer sua suspeição, receberá a decisão com tranquilidade.

Fux não tem comentado com auxiliares sobre a possibilidade de ter sua imparcialidade questionada. Seu filho disse, à época que veio à tona sua presença no camarote de Vorcaro, que não era amigo do ex-banqueiro e que nunca atuou como seu advogado.

Mendonça afirma que Vorcaro o procurou para tratar de um processo sobre precatórios, mas que se limitou a ouvi-lo. O ministro diz que, no julgamento desse caso, votou contra a posição defendida pelo ex-banqueiro, o que indica que ele não está sujeito a pressões.

Toffoli nega irregularidades e também afirma que não tem relação de amizade com Vorcaro. O ministro diz que as alegações da PF (Polícia Federal) contra ele foram levadas ao conhecimento dos colegas no STF em fevereiro, e que o plenário decidiu arquivá-las.