A Polícia Federal (PF) afirma que Daniel Vorcaro tinha conhecimento prévio da Operação Compliance Zero e planejou deixar o país na véspera da ação. As informações estão em um documento que teve o sigilo retirado na noite desta quinta-feira (10).
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Segundo a PF, registros no celular e mensagens trocadas por Vorcaro indicam que ele acompanhava informações sobre a investigação e articulava contatos com pessoas ligadas ao Banco Central e à defesa jurídica.
Em 17 de novembro de 2025, um dia antes da deflagração da operação, Vorcaro recebeu mensagens urgentes do advogado Walfrido Warde e, pouco depois, informou que agendaria um voo com saída de Congonhas. Naquela noite, ele foi interceptado no aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino final aos Emirados Árabes.
A PF também aponta que Vorcaro manteve contatos com servidores do Banco Central naquele dia e articulou uma reunião com o diretor da instituição, Ailton Aquino. Após o encontro, circulou uma reportagem sobre a possível venda do Banco Master ao Grupo Fictor.
A Operação Compliance Zero foi deflagrada oficialmente em 18 de novembro. Para a PF, a sequência de acontecimentos indica que Vorcaro tinha conhecimento antecipado da atuação policial e utilizou contatos em órgãos públicos para obter informações e articular medidas antes da operação.
Cerca de dez dias depois, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinou a soltura de Vorcaro e de outros quatro executivos do banco. A PF posteriormente utilizou as novas informações para embasar o pedido de prisão preventiva, apresentado em fevereiro de 2026. Vorcaro foi preso novamente em março.
O relatório também reúne mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes da prisão, Vorcaro perguntou ao ministro: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.
Segundo a PF, os diálogos indicam que Moraes discutia com Vorcaro a possibilidade de uma operação policial que teria o banqueiro como alvo.
O ministro André Mendonça retirou o sigilo de parte das investigações relacionadas ao Banco Master. A decisão liberou documentos de inquéritos, reclamações e petições que tramitam no STF.
Com informações do g1, TV Globo e GloboNews.