O presidente Lula (PT) afirmou nesta quinta-feira (10) que o presidente do STF, Edson Fachin, colocou "um pouco de ordem na casa" com a crise que se instalou entre os ministros da corte, mas disse esperar que o chefe do Supremo tome mais medidas e investigue todos.
"Eu acho que o Fachin tomou a atitude correta. Não terminou de tomar as atitudes, espero que ele faça mais coisa para colocar ordem na casa e devolva a credibilidade que o povo brasileiro sempre teve na Suprema Corte, é assim que eu espero", disse, em entrevista ao SBT.
"Falta apurar. Quem é culpado de verdade? Se o Moraes é o culpado, tem que pagar, se o Mendonça é o culpado, tem que pagar, se o Fachin é culpado, tem que pagar. Todo mundo tem que estar à disposição do cumprimento da Constituição. A lei acima de tudo e a verdade soberana."
A crise no Supremo começou quando o ministro André Mendonça pediu manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre um relatório enviado pela Polícia Federal ao STF, que expôs troca de mensagens entre seu colega de corte Alexandre de Moraes com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Os diálogos, recuperados do celular do ex-banqueiro, indicaram que ele perguntou a Moraes, dois dias antes de ser preso se deveria deixar o país. Mostram ainda que o ministro fez edições num contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e que os dois se encontraram pelo menos seis vezes desde 2024.
A oposição usou o episódio para associar Lula a Moraes, que outrora foi próximo do presidente em manifestações públicas, sobretudo nas tratativas sobre os ataques de 8 de janeiro de 2023.
A campanha do presidente, por sua vez, buscou descolar a imagem do petista e do ministro evitando prejuízos eleitorais. Pouco depois das revelações, Lula publicou um vídeo cobrando que o STF e a PGR para investigar o caso Master a fundo.
De lá para cá, o embate entre os dois ministros escalou quando Moraes usou um documento interno da Polícia Federal sem valor probatório para pedir uma investigação contra o colega por possível abuso de autoridade. Mendonça acabou por afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, por conta do relatório
Andrei foi reintegrado nesta quarta-feira (9) por decisão do ministro Flávio Dino. Horas depois, o presidente da corte, Edson Fachin, anulou todas as decisões, manteve o diretor-geral no cargo, mas pediu esclarecimentos em até 48h.
Na decisão que o afastou, Mendonça o acusa de participar da elaboração de um relatório de inteligência que fala em monitoramento do ministro.
Está nos planos do PT de Lula defender, em uma resolução, a ideia de mandatos para ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). A proposta vem como resposta ao diagnóstico do próprio partido de que a campanha à reeleição do presidente está em risco diante da crise sem precedentes na corte.
O tema já aparecia em discussões internas do partido, mas ainda não havia sido endossado pela cúpula da legenda.