A região de Jundiaí registrou uma corrente de comércio recorde de US$ 8,65 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, segundo dados estatísticos oficiais da balança comercial divulgados pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP). O resultado representa um crescimento de 12,1% em relação ao mesmo período do ano passado.
O levantamento considera a regional do CIESP Jundiaí, formada pelos municípios de Jundiaí, Cabreúva, Cajamar, Campo Limpo Paulista, Itatiba, Itupeva, Jarinu, Louveira, Morungaba, Várzea Paulista e Vinhedo.
No período, as importações alcançaram US$ 6,71 bilhões, alta de 12,8% na comparação anual. Já as exportações somaram US$ 1,94 bilhão, crescimento de 10,1%. Com isso, a região apresentou déficit comercial de US$ 4,77 bilhões.
Apesar do saldo negativo, o CIESP destaca que os números refletem as características do parque industrial regional, marcado pela utilização de componentes e insumos importados na produção de bens de maior complexidade tecnológica.
De acordo com Marcio Ribeiro Julio, coordenador adjunto de Comércio Exterior do CIESP Jundiaí, a dinâmica da região está ligada à participação das empresas locais nas chamadas Cadeias Globais de Valor (CGVs).
Segundo ele, parte significativa das importações é formada por componentes eletrônicos e insumos utilizados pela indústria na montagem e transformação de produtos que posteriormente podem ser destinados a outros mercados.
Entre os principais grupos de produtos importados estão Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos, que representam 27,8% das importações, e Máquinas e Aparelhos Mecânicos, com 24,5%.
Para Julio, esse perfil ajuda a explicar por que o déficit comercial não deve ser analisado isoladamente como um indicador de fragilidade econômica.
“Para Jundiaí, que sedia plantas fabris de alta complexidade de gigantes globais como Foxconn e Lenovo, esse saldo negativo é, na verdade, a maior prova de sofisticação e intensidade tecnológica”, avalia.
O coordenador explica que a região possui forte demanda por circuitos integrados e componentes mecânicos e elétricos utilizados nos processos industriais.
O volume movimentado pelo comércio exterior também exige das empresas uma estrutura especializada para lidar com procedimentos fiscais, tributários e aduaneiros.
Segundo Julio, mecanismos como o RECOF (Entreposto Industrial sob Controle Aduaneiro Informatizado), a certificação OEA (Operador Econômico Autorizado) e a DUIMP (Declaração Única de Importação) são ferramentas importantes para dar maior agilidade e segurança às operações.
A utilização desses instrumentos, de acordo com o CIESP, contribui para a organização das operações internacionais e para a redução de riscos relacionados às movimentações de mercadorias e aos procedimentos aduaneiros.
Além da atuação no comércio exterior, Jundiaí possui uma das maiores economias municipais do país. A cidade ocupa a 21ª posição entre as maiores economias brasileiras e a 7ª no Estado de São Paulo, segundo os dados apresentados pelo CIESP.
O município possui um PIB de R$ 65,4 bilhões e PIB per capita de R$ 147.597.
O parque industrial local reúne mais de 160 multinacionais de grande porte, além de centenas de pequenas e médias empresas dos setores industrial e tecnológico.
Para o CIESP Jundiaí, os números do comércio exterior reforçam a importância da região para a indústria paulista e evidenciam o papel do município e das cidades do entorno nas cadeias de produção e distribuição que conectam a economia regional ao mercado internacional.