Um brasileiro de 43 anos foi preso em Massachusetts, nos Estados Unidos, após afirmar à polícia que estrangulou uma mulher de 33 anos depois que ela se recusou a manter relações sexuais com ele, segundo a Promotoria local.
Flavio Alcantara Dias foi preso no dia 27 de agosto após a morte de Brianna Connolly, em Framingham, cidade nos arredores de Boston.
Ele é acusado de agressão que causou lesão corporal grave e de posse de munição sem a licença exigida pelo estado. A Promotoria aguarda o resultado da autópsia e afirma que as acusações podem ser ampliadas. A defesa não foi identificada pela reportagem.
O caso ganhou um novo componente nesta semana após o governo de Donald Trump pedir que as autoridades de Massachusetts entreguem o brasileiro ao serviço de imigração.
De acordo com um porta-voz do DHS (Departamento de Segurança Interna) em nota enviada à Folha, Dias estava em situação migratória irregular no país e já tinha registros anteriores de prisões.
O ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) emitiu um detainer contra o brasileiro, instrumento usado pela agência para pedir às autoridades responsáveis por um preso que avisem o governo federal antes de libertá-lo, permitindo que agentes de imigração assumam sua detenção.
Conforme o porta-voz do DHS, Dias entrou ilegalmente nos Estados Unidos em abril de 2019 e tinha registros anteriores de prisões por dirigir sob efeito de álcool ou drogas e por agressão agravada com uso de arma.
Em outubro de 2024, ainda durante o governo Joe Biden, um juiz de imigração aceitou um pedido de Dias para encerrar seu processo migratório com base no que o DHS descreveu como uma "questão técnica". O departamento não detalhou à Folha qual teria sido essa questão.
Segundo o porta-voz, o encerramento colocou fim ao processo migratório apesar do histórico criminal e da permanência irregular de Dias nos Estados Unidos, e ele foi então liberado no país durante a gestão democrata.
"O modo mais seguro de prender e retirar das nossas ruas imigrantes em situação irregular que cometeram crimes é por meio de pedidos de detenção", afirmou o porta-voz. O DHS disse ainda ter pedido à polícia de Framingham que participe de uma "transferência controlada" do brasileiro às autoridades federais de imigração.
Dias, no entanto, está detido no Middlesex Jail & House of Correction, em Billerica, segundo o Boston 25 News. A emissora afirmou nesta quarta-feira (2) que o gabinete do xerife do condado de Middlesex confirmou ter recebido o pedido de detenção do ICE.
Um porta-voz do gabinete do xerife disse à emissora que Dias permanecerá detido enquanto responde às acusações estaduais em Massachusetts ou até que haja uma ordem judicial para sua libertação.
O caso ocorreu no dia 27, quando policiais foram até uma residência na Waverly Street, em Framingham, após uma ligação para o serviço de emergência. Brianna foi encontrada morta dentro da casa.
Segundo relato da Promotoria durante uma audiência, reproduzido pelo Boston 25 News, foi o próprio Dias quem telefonou para a polícia pouco antes das 12h30.
O promotor assistente do condado de Middlesex, Thomas Brandt, afirmou em tribunal que Dias, falando em português, pediu a presença da polícia e disse que um homicídio havia acabado de acontecer.
Segundo o promotor, o brasileiro afirmou ter matado uma mulher "por engano" e disse que tinha "enlouquecido" e a sufocado. Em outro momento da ligação, teria afirmado que a estrangulou.
Ainda segundo o relato da Promotoria reproduzido pela emissora, Dias disse que ele e Brianna consumiam drogas na residência quando começaram a discutir porque ele queria manter relações sexuais e ela se recusou.
Dias teria dito que depois adormeceu e, ao acordar, percebeu que Brianna não respirava. Ele então chamou a polícia e aguardou a chegada dos agentes do lado de fora da residência.
Segundo a Promotoria, os policiais encontraram Brianna morta sobre uma cama. Ela apresentava marcas de sangue na testa e na parte de trás da cabeça e tinha um objeto semelhante a um cordão em volta do pescoço.
Dias foi mantido preso sem direito a fiança até uma audiência marcada para esta sexta-feira (4), que deverá avaliar se ele representa risco à sociedade.
A Promotoria afirmou durante a primeira audiência que aguardava o resultado da autópsia para determinar oficialmente a causa e as circunstâncias da morte e que as acusações contra Dias poderiam ser ampliadas a partir dessas conclusões.