02 de setembro de 2026
ARAÇATUBA

Jovem baleada em ataque morre após três meses internada

Por Vitor Moretti | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo pessoal
Natália estava internada desde 17 de maio, quando foi baleada durante ataque na Praça Allan Kardec; jovem morreu nesta terça-feira (1º)

Natália Cristina da Cruz Miranda, de 21 anos, morreu nesta terça-feira (1º), após permanecer mais de três meses internada na Santa Casa de Araçatuba. Ela havia sido baleada na cabeça durante um ataque a tiros ocorrido em maio, na praça Allan Kardec, no bairro São Sebastião.

O pai da jovem, Alexandro Miranda, questiona procedimentos adotados durante a internação e registrou ocorrência na Polícia Civil. A Santa Casa afirma que Natália sofreu uma lesão cerebral de extrema gravidade e que foram adotadas todas as medidas e tratamentos adequados ao quadro apresentado.

Diante das alegações da família, a Polícia Civil requisitou exame necroscópico ao Instituto Médico Legal (IML) para auxiliar no esclarecimento das circunstâncias da morte.

Natália estava internada desde 17 de maio. No ataque em que foi ferida, Wilson Barbosa Modaneis, de 30 anos, morreu e uma terceira pessoa também foi atingida.

Segundo a investigação, Wilson seria o alvo dos autores dos disparos. Natália trabalhava em um estabelecimento no local quando foi atingida na cabeça.

Pai relata melhora durante internação

Alexandro contou que a filha apresentou melhora após a primeira cirurgia. Segundo ele, cerca de 20 dias depois, Natália deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e foi transferida para um quarto.

“Ela já estava boa, falando, comendo, conversando, ela sentava”, afirmou.

Posteriormente, a jovem apresentou meningite e seu quadro clínico voltou a se agravar.

O boletim de ocorrência registrado nesta terça-feira também menciona o diagnóstico de meningite durante a internação. Conforme o documento, Natália passou inicialmente por cirurgia para retirada do projétil e de material purulento.

Em 25 de junho, segundo o registro policial, ela foi submetida a outro procedimento para limpeza de uma ferida cirúrgica. No dia seguinte, passou por nova intervenção.

Família questiona procedimentos

O pai afirma que um dos problemas durante a internação estaria relacionado ao funcionamento de um dreno instalado na cabeça da jovem.

Segundo Alexandro, a família procurou outro médico e, após o reposicionamento do dispositivo, Natália teria apresentado melhora.

“A gente foi ter um auxílio de outro médico”, disse.

De acordo com o pai, a filha voltou a responder a estímulos.

“Minha mulher falava para ela: ‘pisca para a mamãe’. Ela piscava duas vezes. E ela pegava na mão da gente, segurava a mão da gente”, relatou.

Alexandro afirma que Natália passou por várias cirurgias durante a internação. Segundo ele, a última ocorreu na quarta-feira passada. O pai associa a piora posterior da filha a esse procedimento.

Não há, até o momento, conclusão pericial que estabeleça relação entre os procedimentos médicos questionados pela família e a morte da jovem.

Polícia requisita exame ao IML

O atestado de óbito indica como diagnóstico “hemorragia subdural devida a traumatismo”. O documento também menciona tratamento conservador de traumatismo cranioencefálico grave.

A Polícia Civil requisitou exame necroscópico ao IML (Instituto Médico Legal).

Santa Casa diz que tratamento foi adequado

Procurada, a Santa Casa de Araçatuba lamentou a morte de Natália e contestou os questionamentos sobre o atendimento.

Segundo o hospital, a jovem deu entrada com “um ferimento de extrema gravidade no cérebro, provocado por disparo de arma de fogo” e a lesão causou danos que se mostraram irreversíveis durante a evolução do quadro clínico.

A instituição informou que Natália recebeu assistência de equipe multiprofissional e multidisciplinar, com acompanhamento de diferentes especialidades médicas, e que a família foi informada sobre a gravidade e a evolução do quadro.

“A Santa Casa afirma que toda a assistência prestada foi compatível com a gravidade do caso e que a paciente recebeu tratamento qualificado e especializado desde sua entrada no hospital”, informou.

Ainda segundo a instituição, os profissionais envolvidos permanecem “convictos de que foram adotadas todas as medidas e tratamentos adequados ao quadro clínico apresentado pela paciente”.

Autores do ataque não foram identificados

Paralelamente à apuração relacionada à morte de Natália, a Delegacia de Homicídios continua investigando o ataque ocorrido em maio.

Até esta terça-feira, os autores dos disparos não haviam sido identificados.

Os investigadores analisam dados extraídos de celulares e continuam ouvindo testemunhas na tentativa de esclarecer a autoria e as circunstâncias do crime.

Matéria atualizada às 19h49