O avanço das ondas de calor e seus impactos sobre a saúde colocou Campinas no centro de uma discussão nacional nesta terça-feira (25). Prefeitos, gestores públicos, pesquisadores e especialistas se reuniram na Unicamp para discutir como as cidades brasileiras podem se preparar para temperaturas cada vez mais elevadas e proteger principalmente as populações mais vulneráveis.
O encontro "Calor extremo e saúde: evidências, impactos e respostas dos municípios brasileiros" ocorreu no Instituto de Geociências da Unicamp. A discussão ganha peso diante da expectativa apresentada durante o evento de um possível El Niño forte entre o fim de 2026 e o início de 2027, cenário que reforça a necessidade de planejamento antecipado dos municípios.
Organizado pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP), WRI Brasil e Prefeitura de Campinas, o evento buscou transformar conhecimento científico em políticas públicas. Entre os temas estão os efeitos das altas temperaturas sobre a saúde, sistemas de alerta, proteção de grupos vulneráveis, planejamento urbano, arborização e soluções capazes de reduzir o calor nas cidades.
Presidente da Comissão de Saúde da FNP, o prefeito Dário Saadi afirmou que as administrações municipais precisam se antecipar aos próximos episódios extremos. Para ele, as respostas não podem ficar concentradas apenas na área da Saúde, mas precisam envolver Defesa Civil, Meio Ambiente, Assistência Social, Serviços Públicos e outras estruturas municipais.
"Os municípios precisam agir agora, com base em evidências científicas, para reduzir os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde da população", afirmou Saadi. O prefeito também destacou a parceria com universidades como ferramenta para aproximar pesquisas científicas das decisões tomadas pelas administrações públicas.
A abertura contou ainda com o prefeito de Maringá (PR), Sílvio Barros, representantes dos ministérios da Saúde e do Meio Ambiente e Mudança do Clima e o reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner.
Um dos painéis discutiu o aumento da frequência, intensidade e duração das ondas de calor no Brasil e as consequências para a saúde, qualidade de vida e infraestrutura urbana. Entre as alternativas apresentadas estão ampliação da arborização, mudanças no planejamento das cidades e adoção de soluções baseadas na natureza.
Campinas também apresentou iniciativas locais para enfrentar temperaturas extremas. As ações foram detalhadas por técnicas da Secretaria do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade (Seclimas) durante o painel sobre evidências científicas, tendências climáticas e soluções urbanas.
As discussões envolvem ainda sistemas de alerta, atendimento em saúde, estratégias de resiliência e formas de proteger grupos mais expostos aos efeitos do calor. Participam profissionais da Atenção Primária, redes de urgência e emergência, Vigilância em Saúde e Defesa Civil, além de representantes de regiões metropolitanas e universidades.
Parte da programação desta terça levou os participantes para conhecer iniciativas implantadas no próprio município. Estavam previstas visitas ao Radar Meteorológico do Cepagri, à microfloresta de Barão Geraldo, à Estação Produtora de Água de Reúso (EPAR) Boa Vista e à Mata de Santa Genebra.
Na Mata de Santa Genebra, por exemplo, foi instalado um reservatório específico para permitir uma resposta mais rápida a focos de incêndio associados aos períodos de seca.