22 de agosto de 2026
DESPEDIDA

Órgãos de Pedro vão salvar cinco pessoas

Por Jesse Nascimento | Caçapava
| Tempo de leitura: 2 min
Da redação
Reprodução
Pedro Henrique

A doação de órgãos e tecidos de Pedro Henrique, de 16 anos, baleado por engano em Caçapava Velha, vai beneficiar cinco pessoas. A família autorizou a retirada dos dois rins, do fígado e das duas córneas do adolescente neste sábado (22). A decisão atendeu a um pedido feito pelo próprio jovem à mãe antes do crime.

A captação teve início no fim da manhã, na Fusam, em Caçapava, e terminou por volta das 14h30. Após o procedimento, dois veículos da Secretaria de Estado da Saúde fizeram o transporte do material destinado aos transplantes.

Foram retirados os dois rins, o fígado e as duas córneas. Os rins serão destinados a dois receptores, as córneas a outras duas pessoas e o fígado a um quinto paciente.

Embora a expressão “doação de órgãos” seja utilizada de forma ampla, as córneas são classificadas como tecidos. Dessa forma, Pedro Henrique doou três órgãos — dois rins e o fígado — e dois tecidos, que poderão beneficiar cinco receptores.

O coração do adolescente também foi avaliado pela equipe médica, mas não apresentou condições para transplante. Segundo a mãe, Letícia Silva, o órgão sofreu desgaste durante os dias em que Pedro permaneceu em estado grave.

“O coração não vai dar, mas a gente já fica feliz que já vai salvar cinco vidas”, afirmou Letícia.

A família havia anunciado a decisão de autorizar a doação na sexta-feira (21), após a confirmação da morte do adolescente.

Segundo Letícia, Pedro havia conversado com ela sobre doação de órgãos pouco tempo antes de ser baleado. O assunto surgiu depois da morte de uma pessoa conhecida pela família. Na ocasião, o adolescente deixou claro o que gostaria que fosse feito caso algo acontecesse com ele.

“Mãe, se um dia acontecer alguma coisa comigo, eu quero que a senhora doe meus órgãos. Pode doar tudo”, relembrou a mãe.

Letícia contou que, inicialmente, teve dificuldade para autorizar o procedimento, principalmente porque a captação prolongaria o período até a liberação do corpo em um momento de profundo sofrimento para a família. A lembrança da conversa com o filho, porém, foi determinante.

“Deus me trouxe isso na memória, que era a vontade dele”, contou.

Para a mãe, saber que a decisão poderá ajudar cinco pessoas trouxe algum conforto diante da perda. Ela descreveu Pedro como um adolescente carinhoso, estudioso, trabalhador e ligado à fé, que demonstrava afeto pelos pais e avós e costumava falar sobre a importância de ajudar outras pessoas.

Agora, a vontade manifestada pelo jovem em vida se transforma em uma última ação de solidariedade, capaz de dar uma nova oportunidade a cinco pessoas que aguardavam por um transplante.