22 de agosto de 2026
DATAFOLHA

39% a 33%: equipes de Lula e Flávio têm avaliações divergentes

Por Caio Spechoto, Catia Seabra, Carolina Linhares, Thaísa Oliveira e Augusto Tenório | da Folhapress
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Reprodução
A pesquisa mostrou que Lula tem 39% das intenções de voto no primeiro turno, e Flávio, 32%

Os grupos políticos de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmam ter interpretações divergentes sobre os resultados da pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (21).

Do lado petista, o relato é de alívio pelo cenário de segundo turno ter variado apenas dentro da margem de erro num momento de desgaste. Já do lado de Flávio, a avaliação é de que o senador está consistentemente diminuindo a distância para Lula no primeiro turno e se consolidando como o único candidato capaz de derrotar Lula, ante um pelotão que aparece embolado abaixo de 5%.

A pesquisa mostrou que Lula tem 39% das intenções de voto no primeiro turno, e Flávio, 33%. A projeção de segundo turno entre os dois principais candidatos aponta Lula com 47% contra 43% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

No levantamento anterior, feito antes do início formal da campanha, o petista tinha 48% contra 43% de Flávio. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais. O cenário também considera a candidatura de Pablo Marçal (PRTB), que poderá ser cassada por ele estar inelegível.

Apesar de uma oscilação positiva de Flávio, aliados do presidente da República relataram, reservadamente, uma espécie de alívio.

A avaliação é de que a campanha de Lula passa por seu pior momento, por causa das revelações sobre a relação de um de seus filhos e de seu ex-chefe de gabinete com a lobista Roberta Luchsinger. Nesse cenário, ter perdido apenas um ponto percentual na projeção de segundo turno, uma variação dentro da margem de erro, seria positivo para Lula.

Coordenador da campanha do presidente em São Paulo e advogado de Lulinha, o advogado Marco Aurélio Carvalho afirma que o resultado é excepcional no contexto atual. "Dadas as circunstâncias em que estamos sofrendo um massacre com ataques orquestrados, de dentro e fora do país, o resultado é excepcional. Eles vão suar, mas vamos vencer as eleições", disse.

O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, disse que não há surpresa no resultado. "Penso que a pesquisa mostra um quadro de estabilidade, com o presidente liderando todos os cenários. Assim, segue como favorito", afirmou.

Sob reserva, aliados do presidente admitem que o caso ainda terá reflexos na campanha. Mas, depois de duas semanas de abatimento, afirmam estar preparados para um contra-ataque a partir da semana que vem.

Fábio Luís, filho de Lula que ficou nacionalmente conhecido como Lulinha, é alvo de três inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal). A PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu que o caso deixe a Suprema Corte e vá para a primeira instância, uma vez que não há envolvidos com foro especial.

As suspeitas são em torno de uma suposta atuação com a lobista Roberta Luchsinger para tentar vender medicamentos à base de canabidiol para o Ministério da Saúde.

O ex-chefe de gabinete de Lula é Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Ele teria tido despesas pessoais pagas por Roberta Luchsinger e afirma que as transações foram um empréstimo.

Na quinta-feira (20) foram publicadas novas informações sobre os casos. A Polícia Federal apontou Lulinha como beneficiário indireto do trabalho de Luchsinger e identificou uma suposta "comunhão de interesses" entre os dois, entre outras afirmações.

Tanto Marcola quanto a defesa de Fábio Luís negam irregularidades. No caso de Lulinha, há também uma reclamação por causa dos vazamentos de investigações da Polícia Federal.

Os efeitos dessas novas notícias ainda não puderam ser medidos nessa edição da pesquisa Datafolha, uma vez que os dados foram colhidos na terça (18) e na quarta-feira (19).

Parte da campanha de Flávio considera que o eleitor ainda não foi influenciado pelas notícias negativas sobre Lulinha -e que, quando isso acontecer, o desgaste provavelmente será mínimo para o petista.

De forma geral, porém, integrantes da campanha afirmam que o pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia indicou ao eleitorado que o governo Lula vai mal na economia, com impacto direto na ponta.

O candidato do PL gravou vídeos de campanha na porta de uma loja recém-fechada em Brasília. O senador também tem batido na tecla de que a população está endividada e sem poder de compra, afirmando que a picanha prometida pelo petista não foi entregue.

Integrantes da campanha de Flávio dizem ainda que a pesquisa consolida a avaliação da equipe de que Lula já atingiu seu teto de crescimento, enquanto o senador seguirá ganhando tração.

Ainda segundo auxiliares do presidenciável do PL, a proximidade da eleição faz com que os eleitores percebam dois fatores. Em primeiro lugar, que Flávio é a única opção com chances de vencer Lula, o que cria um movimento de migração de votos a favor do bolsonarista.

E, em segundo lugar, a população reflete sobre os próximos quatro anos e vê que não está satisfeita com o atual governo, algo que as pesquisas começam a captar com mais clareza.

O deputado federal e candidato ao Senado Carlos Jordy (PL-RJ), que acompanhou Flávio nesta sexta em comícios no Rio de Janeiro, afirma que a pesquisa mostra um desgaste de Lula.

"Nas nossas medições, já estamos na frente. [...] Mas ficamos animados com o Datafolha, evidentemente. [...] O Lula está derretendo, o caso Lulinha está nos ajudando e a gente vai vencer essa eleição", disse à reportagem.

Dois líderes do centrão ouvidos pela reportagem avaliam que o efeito do caso Lulinha foi limitado na pesquisa e que Lula demonstrou resiliência. Eles acreditam, porém, que o escândalo forçará um segundo turno, frustrando o objetivo do petista de vencer a eleição no dia 4 de outubro.

Esses políticos também creem que o escândalo envolvendo o filho do presidente ajuda Flávio a superar o caso Dark Horse. Eles pontuam que Lulinha e o ex-assessor Marcola levaram o caso do INSS ao Planalto durante a campanha.

Enquanto isso, afirmam que a revelação da relação do candidato do PL com Vorcaro tende a diminuir seu impacto na eleição, visto que foi revelada em maio. Esses líderes do centrão avaliam ainda que o cenário pode mudar, diante da expectativa de novas informações sobre o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, apontado pela PF como figura central no esquema do INSS.