21 de agosto de 2026
PF INVESTIGA

Lulinha era beneficiário indireto de lobista no governo Lula

Por José Marques e Caio Spechoto | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/captura de vídeo/@Poder360/Youtube
Fábio Luís e a empresária e lobista Roberta Luchsinger.

A Polícia Federal aponta um dos filhos do presidente Lula (PT) como beneficiário indireto da ação da empresária e lobista Roberta Luchsinger, que teria buscado contatos políticos para facilitar a venda de medicamentos à base de canabidiol ao governo federal.

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O apontamento da PF foi revelado em reportagem publicada nesta quinta-feira (20) pela revista Veja, com base em um dos relatórios policiais que miram o filho de Lula, cujo teor foi confirmado pela Folha de S.Paulo.

O filho do presidente é Fábio Luís, que ficou conhecido como Lulinha. Ele é amigo de Roberta e está no centro de uma investigação que inclui três inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal).

"As comunicações indicam que Fábio é mencionado por Roberta Luchsinger como referência decisória nos projetos discutidos. Ele foi indicado como beneficiário indireto das articulações conduzidas por terceiros em seu nome", afirma o documento da PF reproduzido pela revista.

De acordo com a revista, a PF encontrou mensagens de celular que mostram Roberta dizendo que precisaria tirar Fábio Luís do Brasil até junho de 2025. Naquele ano, ele se mudou para a Espanha.

As investigações da PF também apontam que Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, teria intermediado uma reunião de Roberta com Swedenberger Barbosa, que na época era secretário-executivo do Ministério da Saúde.

Hoje, Barbosa trabalha no gabinete de Lula. Segundo a reportagem, após a reunião, Roberta enviou a Marcola uma minuta do contrato de venda de canabidiol ao governo. O ex-chefe de gabinete de Lula já havia dito à reportagem que não repassou o contrato adiante.

As investidas no Ministério da Saúde não prosperaram. Tanto o filho do presidente quanto Marcola negam irregularidades. O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que defende Lulinha, classificou como "esculhambação" a atuação de setores da PF que vazam informações. A reportagem procura os citados, mas ainda não obteve resposta.

Os investigadores apontam que havia um "núcleo de atuação permanente e coordenada composto por Roberta Moreira Luchsinger, Fabio Luis Lula da Silva e Fernando Bittar, voltado à interlocução de interesses privados perante agentes e órgãos da Administração Pública Federal". Os três seriam parte do mesmo grupo de WhatsApp.

Bittar ficou conhecido na época da Operação Lava Jato por ser dono do sítio em Atibaia (SP). Os procuradores da Lava Jato sustentavam que o verdadeiro proprietário do imóvel era Lula.

De acordo com o documento da PF mencionado pela revista, os investigadores identificaram o filho de Lula como uma figura importante, com poder de decisão apesar de postura discreta. Ele seria apontado como beneficiário indireto de articulações conduzidas por terceiros em seu nome. Nas mensagens, Roberta diz que ele precisa se preservar.

De acordo com a revista, Marcola ficou responsável por marcar uma reunião entre Roberta e Swedenberger Barbosa, o que teria sido possível depois de intervenção do filho do presidente. Depois da encontro, Marcola recebeu a minuta de um contratado sobre medicamentos à base de canabidiol.

Teria sido nessa época que Roberta passou a pagar contas do ex-assessor de Lula -Marcola afirma que foi um empréstimo. O valor seria de R$ 217.098 entre fevereiro e novembro de 2024, com despesas como faturas de cartão de crédito, boletos, financiamento de carro e outros gastos.