O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, afirmou na manhã desta quinta-feira (20) que o caso "Dark Horse" é "página virada" e disse que quem deve explicações é o presidente Lula (PT) e seu filho, Lulinha.
Questionado sobre a prestação de contas do filme, que recebeu R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master, Flávio afirmou que o material já foi vazado e que "estava tudo certinho". Foi o senador quem negociou com o banqueiro o investimento.
Apesar de a produtora ter declarado gasto de cerca de R$ 75 milhões com o filme, em um laudo privado anexado a um inquérito policial que investiga suposto uso de verbas públicas na produção, o documento não detalhou os financiadores nem incluiu notas fiscais emitidas pelos fornecedores.
Em maio, Flávio disse que havia pedido à produtora Go Up a apresentação de uma prestação de contas transparente e afirmou que estava "100% disposto" a tornar público o contrato do filme com Vorcaro.
Os repasses do banqueiro estão sob investigação da Polícia Federal, que apura se houve irregularidades nos pagamentos.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também sugeriu nesta quinta que Lula tinha a intenção de usar o Banco Central para beneficiar Vorcaro e citou Lulinha, atingido pelas investigações do escândalo do INSS.
"Por que o futuro dele está na Suíça, e não no Brasil?", disse o candidato, em referência a mensagens reveladas pelo site Metrópoles em que a empresária Roberta Luchsinger diz a Lulinha que o futuro deles é no país europeu.
Flávio visitou o mercadão de São Miguel, na zona leste de São Paulo, na primeira agenda pública na cidade após a confirmação da candidatura.
Esteve acompanhado pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), que tem ajudado a organizar eventos na capital. O senador cumprimentou e tirou fotos com apoiadores. Ao lado de Nunes, levantou uma peça de picanha, em uma crítica a Lula, que usou como mote de sua campanha eleitoral em 2022 a promessa de que o povo iria voltar a comer a carne.
Questionado sobre o influenciador Pablo Marçal (PRTB), que registrou candidatura à Presidência apesar de estar inelegível, Flávio disse que ele é um "cara do bem, preparado, e acho que bem intencionado". Nunes, com quem Marçal disputou a prefeitura em 2024, disse que cristãos precisam perdoar e reforçou a necessidade de união pelo Brasil.
Antes da visita, dezenas de manifestantes protestaram e levaram cartazes contra Flávio e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Em um dos cartazes, o filho de Jair Bolsonaro (PL) apareceu como "Wally" (de "Onde está Wally?"), com a pergunta "Onde estão os R$ 61 milhões?", em referência ao pagamento de Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse.
A maioria dos cartazes, porém, era contra o governador, com acusações de que ele estaria destruindo o estado e queixas sobre violência policial.
Tarcísio não compareceu ao evento pois cumpriu uma agenda no mesmo horário, participando de sabatina na rádio CBN. O desfalque não foi bem recebido por aliados bolsonaristas de Flávio em São Paulo, que mantêm queixas recorrentes de que Tarcísio presta apenas um apoio protocolar ao candidato à Presidência.
Abordados por jornalistas, os manifestantes afirmaram que moram em comunidades de São Miguel e São Mateus, na zona leste, e que não têm relação com movimentos sociais.
Depois da visita ao mercadão, Flávio seguiu para um campo de futebol onde jogou bola com crianças da Vila Formosa. Já o almoço foi na Mooca e contou com a presença de Tarcísio, de lideranças políticas e de empresários.
Na Mooca, Flávio disse que olha com nojo para o STF (Supremo Tribunal Federal) e que Lula, se reeleito, indicará mais quatro ministros que irão perseguir a população.
Ele estava em um palco ao lado de Tarcísio e Nunes e também afirmou que quer entrar para a história, nem que seja como "um presidente de transição". "O Brasil precisa atravessar um mar revolto nesse momento."
Mais cedo, em sabatina transmitida pela rádio CBN, Tarcísio havia afirmado que Flávio assumiu um compromisso com um mandato único ao protocolar, em março, uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que prevê o fim da reeleição.
Flávio disse, ainda, que "as coisas acontecem de forma impune" no STF e afirmou que a única perspectiva de mudança passa pela mudança do presidente e da bancada de senadores.
Aos empresários presentes, em geral comerciantes da zona leste, o filho de Jair Bolsonaro (PL) prometeu reduzir a carga tributária e disse que já sentiu na pele o que é ser lojista. Segundo ele, o aluguel "é caro para caramba" e margem de lucro é pequena.
Flávio foi sócio de uma franquia da Kopenhagen que, segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, foi utilizada para lavar até R$ 1,6 milhão do esquema da "rachadinha" —recolhimento de salários que teria ocorrido em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio.
O senador sempre negou irregularidades e, em 2021, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou todas as decisões tomadas pela Justiça do Rio de Janeiro por entender que o caso não poderia ter corrido na primeira instância devido ao foro especial.