A preocupação com a saúde e a qualidade de vida vem mudando hábitos da população e refletindo diretamente na rotina de academias, bares e restaurantes. Em Bauru, profissionais observam um público cada vez mais interessado em atividade física e em refeições mais equilibradas. A mudança vai além da preocupação estética: exercícios passaram a ser procurados como forma de prevenção, manutenção da massa muscular e melhora do bem-estar.
Para o educador físico Richard Robles, a pandemia foi um divisor de águas nesse comportamento. Segundo ele, a maior circulação de informações sobre saúde e atividade física fez com que muitas pessoas passassem a enxergar o exercício como uma necessidade. "Depois da pandemia, a galera virou uma chavinha. Hoje a gente não atende a galera que vem por estética. Hoje é saúde", afirma.
Richard conta que a mudança pode ser percebida na diversidade do público que frequenta as academias. Segundo ele, idosos e jovens passaram a dividir o mesmo espaço, enquanto os alunos também diversificaram as modalidades. A influência das informações disponíveis na internet também é apontada pelo profissional como um dos fatores que ajudaram a mudar a relação das pessoas com o exercício.
Para ele, a atividade física deixou de ser associada exclusivamente à estética. "A estética é importante, só que ela não é tudo", afirma. Richard observa que muitos alunos chegam às academias por indicação médica, principalmente diante da necessidade de fortalecer a musculatura e preservar a qualidade de vida ao longo do envelhecimento.
O educador físico também percebe mudanças entre os mais jovens. Segundo ele, a presença desse público aos sábados é um dos sinais de que a atividade física passou a disputar espaço com antigos hábitos de lazer. "Hoje você vê a molecada séria aqui. A pessoa até pode sair, só que ela vai ter uma noção que ela vai vir treinar no sábado", explica.
Na avaliação de Richard, a atividade física também produz efeitos que vão além do condicionamento físico. Ele afirma observar mudanças no comportamento e na socialização de alunos que chegam à academia com baixa autoestima ou dificuldades emocionais. "A gente começa a ver em um mês a diferença. Começa a usar uma roupinha mais colorida, começa a fazer amizade. Quando você vê, a pessoa nunca mais para de fazer atividade física", conta.
NÃO SÓ ATIVIDADE FÍSICA
A mudança de hábitos também aparece no prato. Empresária do ramo alimentício há mais de duas décadas, Daniela Santos afirma que percebeu nos últimos anos uma procura maior por refeições consideradas mais saudáveis. Para acompanhar essa demanda, o estabelecimento passou a oferecer pratos executivos com maior variedade de legumes e verduras. "A gente optou por um prato executivo, para eles mesmos montarem, com mais variedades, para que fique uma alimentação mais saudável", afirma.
Segundo Daniela, a procura por refeições menores também aumentou. Ela relata que a marmita média, antes mais procurada, perdeu espaço para a versão menor, que atualmente é a mais vendida e, em alguns casos, ainda é dividida entre duas pessoas. "Antigamente a marmitex média era mais procurada, agora o pessoal está pegando a mini e ainda dividindo", diz.
O estabelecimento comercializa, em média, 100 marmitas por dia, segundo a empresária. Daniela estima que a procura pela versão menor tenha aumentado entre 20% e 30% em relação ao período anterior.
De acordo com pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), 61% dos estabelecimentos do setor perceberam essa mudança de hábito. Entre os efeitos mais citados estão o aumento na procura por porções menores, relatado por 64% dos entrevistados, e a redução no consumo de sobremesas, percebida por 65% deles. A mudança percebida pelo setor aponta para um comportamento que combina alimentação e atividade física. De um lado, consumidores demonstram maior interesse por porções menores e alimentos como verduras e legumes. De outro, cresce a procura por exercícios entre pessoas de diferentes idades e com objetivos que vão além da aparência.
Para Richard, entretanto, a mudança não precisa acontecer de uma vez. Ele recomenda que quem está acima do peso ou queira começar a praticar exercícios comece gradualmente. "Não adianta querer mudar tudo de uma vez. Isso está fora da realidade", orienta. Segundo ele, o primeiro passo é abandonar o sedentarismo e criar uma rotina de atividade física. Depois, a alimentação pode ser ajustada progressivamente.
A transformação é uma mudança de mentalidade em que saúde e qualidade de vida começam a ocupar um espaço cada vez maior nas escolhas do cotidiano.