14 de agosto de 2026
POLÍTICA

Plano de Flávio usa escândalo do INSS para desgastar Lula

Por Carolina Linhares | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Flávio Bolsonaro, candidato pelo PL

O plano de governo do presidenciável do PL, o senador Flávio Bolsonaro (RJ), promete combater e prevenir fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) como parte de sua estratégia de explorar na campanha eleitoral o escândalo dos descontos fraudulentos que envolveu Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).

Ao apresentar suas propostas para a área, Flávio exime o governo Jair Bolsonaro (PL) e culpa a gestão petista pelo esquema de corrupção, alvo da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS no Congresso.

Auxiliares do candidato apostam em Lulinha e no escândalo do INSS como pontos centrais de desgaste para Lula durante a campanha. Também por isso, escolheram como candidato a vice-presidente o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), relator da CPI do INSS que propôs em seu parecer final o indiciamento do filho de Lula.

O texto fala em "farra do INSS", uma "explosão de descontos indevidos que triplicou os valores roubados de idosos, pensionistas e beneficiários de programas sociais em 2023 e 2024", anos da gestão do PT.

"Foi a mobilização da oposição, após a CPI do INSS e contra a resistência do governo Lula, que conseguimos aprovar o fim definitivo dos descontos associativos, em novembro de 2025", diz ainda o plano.

A proposta de Flávio é reeditar um pacote antifraude da Previdência, nos moldes de uma MP (medida provisória) editada pelo governo Bolsonaro em 2019, e "mudar a governança do consignado para que a fraude não se repita, revendo quem opera esses descontos e como são autorizados".

No fim de julho, os ministros André Mendonça e Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizaram a abertura de inquéritos contra Lulinha para apurar suspeitas de tráfico de influência. Também vieram à tona pagamentos da empresária Roberta Luchsinger ao ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que é amigo de Lulinha.

Em abril de 2025, durante o governo Lula, uma operação deflagrada pela Polícia Federal e pela CGU (Controladoria-Geral da União) mirou um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. A investigação apontou uma soma de R$ 6,3 bilhões em valores descontados, entre 2019 e 2024, abrangendo os governos Bolsonaro e Lula.

Depois da operação, o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, pediu demissão do cargo após ordem do presidente Lula. A revelação do esquema também culminou na demissão do então ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT).

No plano de governo, Flávio menciona a MP 871, editada em 17 de janeiro de 2019, a chama de MP Antifraudes e diz que o governo Bolsonaro foi o primeiro a tentar restringir os descontos sem consentimento dos aposentados.

A MP incluiu uma regra para que o desconto de associações em aposentadorias e pensões fosse autorizado anualmente. Durante a tramitação no Congresso, a iniciativa foi alterada pelos parlamentares duas vezes até ser eliminada completamente em uma terceira ocasião. Bolsonaro poderia apresentar vetos ao texto, mas decidiu sancionar a MP na íntegra.

Entre as 11 entidades investigadas pela operação da PF, cinco haviam firmado acordos com o INSS durante o governo Bolsonaro. O próprio relatório final da CPI afirma que, nesse período, decretos e mudanças internas ampliaram o acesso de entidades e fragilizaram o sistema, permitindo "que o esquema de descontos indevidos deixasse de ser uma prática isolada para se tornar um modelo de exploração sistêmica".

Como mostrou a Folha de S. Paulo, mensagens interceptadas pela PF mostram "fortes indícios" de que o esquema criminoso envolvendo José Carlos Oliveira, ex-presidente do INSS, estava "em pleno funcionamento" no período em que ele era ministro do Trabalho e Previdência de Bolsonaro. À CPI, ele negou participação em fraudes.

O desconto de mensalidades de associações e sindicatos vem de governos anteriores, mas atingiu patamares bilionários após 2022, explodindo durante o governo Lula, com movimentações políticas no Congresso que impediram o endurecimento de regras para barrar débitos ilegais.