13 de agosto de 2026
FÉ E EDUCAÇÃO

Igreja Nossa Senhora da Assunção celebra 100 anos em Piracicaba

Por Da Redação | JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min

No dia 16 de agosto de 2026, a Igreja Nossa Senhora da Assunção de Piracicaba completa 100 anos de história, fé e educação.

Uma trajetória marcante em nossa cidade, que remonta a 1844, com a iniciativa de um ituano e morador de Piracicaba, o Sr. Miguel Arcanjo Benício Dutra, popularmente conhecido como Miguelzinho Dutra, cujos restos mortais estão sepultados no interior da Igreja da Assunção. Idealizador e construtor da primitiva igreja, Miguelzinho Dutra utilizou suas próprias mãos e seus conhecimentos como arquiteto, entalhador, escultor e pintor na construção do templo.

Em 24 de fevereiro de 1851, Miguelzinho Dutra criou a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte e, em 5 de abril de 1853, iniciou a edificação do templo, concluída em 26 de junho de 1855. A igreja foi abençoada em 3 de setembro do mesmo ano, com o translado da imagem de Nossa Senhora da Boa Morte, vinda da Igreja Matriz, hoje Catedral de Santo Antônio, para o templo recém-inaugurado.

Também são especialmente interessantes os registros sobre a construção e a manutenção da antiga igreja. Para viabilizar a continuidade das obras, Miguel Dutra chegou a viajar até a capital do Império brasileiro, onde foi recebido pelo imperador Dom Pedro II. Em seu diário, ele próprio relata a viagem:

“No dia 19 de julho de 1864, depois de tirar atestados na Câmara Municipal, do Reverendo Vigário Joaquim Cypriano de Camargo, do Doutor Juiz de Direito da Comarca e munido das cartas de vários senhores desta cidade, fui à Capela de Nossa Senhora da Boa Morte assistir à missa que celebrou o Reverendo Padre João José de Andrade, para bom sucesso da viagem. Despedi-me das pessoas que se achavam na Capela com o fim de também assistirem aquele ato e, confiado na proteção da Santa Virgem, segui viagem para o Rio de Janeiro. Levei mais cartas de Capivari e de Itu. Em Santos demorei-me 11 dias por causa de não haver vapores para seguir. Finalmente, no dia 5 de agosto embarquei-me e cheguei ao Rio no dia 6, às 4 horas da tarde. No dia 14, dia mesmo de Nossa Senhora da Boa Morte, fui ao Paço de São Cristóvão entregar ao Imperador um oratório que fiz com a imagem da Santa feita em jaspe, a qual ofertei à Sua Alteza Real, a Imperatriz. O Imperador me recebeu com muita afabilidade, inquirindo-me sobre o meu trabalho etc.etc., deu-me 100$000 (cem mil réis), como esmola... - Auxílio para a construção da Boa Morte”.

Na noite de 25 de janeiro de 1891, uma tragédia atingiu o edifício do Colégio Assunção, que funcionava, como atualmente, ao lado da Igreja da Boa Morte. O prédio foi destruído por um grande incêndio.

Em seguida, por iniciativa das Irmãs de São José de Chambéry, administradoras do Colégio Assunção, o arquiteto italiano Alberto Borelli foi incumbido da demolição e reconstrução da igreja e do colégio. As obras tiveram início ainda naquele ano e foram concluídas 35 anos depois, em 15 de agosto de 1926 (Cf. DUTRA, 1972).

No final dos anos de 1988, as irmãs encerraram sua comunidade religiosa, e o Colégio Assunção foi cedido aos cuidados dos padres e irmãos Salesianos de Dom Bosco, que o administram até os dias de hoje. A igreja também mantém a tradição das missas dominicais, celebradas todos os domingos às 10h.

Na comemoração dos 75 anos da presença salesiana em Piracicaba, o Colégio Dom Bosco restaurou os sinos da igreja e os automatizou. Desde então, eles tocam diariamente ao meio-dia e às 18h, além dos domingos, antes da missa.

Para marcar esse momento especial com toda a comunidade educativa e católica da cidade, o centenário da construção do atual edifício religioso será celebrado com uma Missa Solene no dia 16 de agosto, às 10h. A celebração será presidida pelo Arcebispo Metropolitano de São José do Rio Preto, S. Excia. Revma. Dom Antônio Emídio Vilar, sdb, e contará com apresentação de Coro Sacro pela Camerata Paulista, regida pelo maestro Yuri Jaruskevicius, com dez vozes e instrumentos de corda.