Araçatuba pode ganhar, nos próximos anos, um hospital municipal para atender pacientes de baixa e média complexidade. A informação foi apurada com exclusividade pela Folha da Região junto a fontes da Secretaria de Estado da Saúde e da Secretaria Municipal de Saúde.
Segundo a apuração, já existe um estudo técnico e um projeto elaborado para a implantação da unidade hospitalar. A proposta inicial prevê cerca de 50 leitos, com possibilidade de ampliação futura para 100 leitos, conforme a demanda.
O hospital teria como principal objetivo absorver internações de menor complexidade, permitindo que hospitais de referência concentrem seus atendimentos nos casos mais graves.
Hoje, um dos principais gargalos da rede regional é justamente a ocupação de leitos por pacientes que não necessitam de atendimento de alta complexidade. Conforme dados discutidos por gestores da saúde, cerca de 80% dos pacientes internados na Santa Casa de Araçatuba são de média complexidade, ocupando vagas que poderiam estar disponíveis para pacientes que aguardam tratamentos mais especializados.
A consequência desse cenário é a dificuldade para conseguir vagas hospitalares reguladas pela Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), problema que ganhou repercussão nos últimos dias após a morte de pacientes que aguardavam transferência do Pronto-Socorro Municipal para hospitais de maior complexidade.
A reportagem também apurou que a viagem da secretária municipal de Saúde, Lucila Bistaffa, e do prefeito Lucas Zanatta (PL) a São Paulo, prevista para a próxima semana, terá uma pauta mais ampla do que a anunciada oficialmente.
Além das discussões sobre a ampliação imediata de leitos hospitalares na região, os dois devem apresentar ao secretário de Estado da Saúde, Eleuses Paiva, o projeto do hospital municipal.
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o Governo do Estado demonstra interesse em participar da iniciativa e estuda formas de colaborar financeiramente com a implantação da unidade.
A proposta em discussão prevê que o hospital seja viabilizado com investimentos municipais, possivelmente por meio de contrato de gestão com uma organização social responsável pela administração da unidade, além de recursos estaduais destinados à estruturação e funcionamento do serviço.
Até o momento, não há definição sobre cronograma de obras nem estimativa oficial de investimento.
A construção do hospital municipal faz parte de uma estratégia mais ampla para aumentar a capacidade hospitalar da região de Araçatuba.
Nesta semana, a Secretaria de Estado da Saúde informou, também em primeira mão à Folha da Região, que trabalha na ampliação da oferta de leitos em diferentes unidades.
O Hospital Estadual de Mirandópolis, que atualmente possui 67 leitos, deverá chegar a 117 leitos até o fim deste ano, representando o maior incremento previsto em curto prazo.
Também está em estudo a abertura de 10 novos leitos de UTI na Santa Casa de Araçatuba, entre unidades adultas e pediátricas, além da criação de 10 leitos de UTI no Hospital Regional de Ilha Solteira.
No médio prazo, a principal aposta do Estado é a conclusão do Hospital Regional de Birigui. As obras estão com aproximadamente 30% de execução e a futura unidade deverá acrescentar cerca de 250 leitos à rede regional.
Na avaliação de técnicos ouvidos pela reportagem, a implantação de um hospital municipal em Araçatuba permitiria reorganizar o fluxo de internações.
Pacientes de baixa e média complexidade seriam encaminhados para a nova unidade, enquanto hospitais como a Santa Casa poderiam concentrar seus recursos nos casos de alta complexidade e nos atendimentos regulados pela Cross.
A expectativa é que a medida reduza o tempo de espera por vagas hospitalares, um dos principais desafios enfrentados atualmente pela região.
A Prefeitura de Araçatuba e a Secretaria de Estado da Saúde ainda não anunciaram oficialmente o projeto. A expectativa é que as discussões avancem após a reunião prevista para a próxima semana, em São Paulo.