A rede estadual de São Paulo não conseguiu garantir que o aprendizado dos estudantes do ensino médio voltasse ao patamar de antes da pandemia. Com isso, o maior e mais rico estado do país ficou ainda mais distante de liderar nessa etapa de ensino no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).
Principal indicador de qualidade da educação do país, o Ideb teve os resultados de 2025 divulgados nesta quarta-feira (5) pelo Ministério da Educação. São Paulo obteve no ano passado uma média de 4,3 para o ensino médio -um leve aumento em relação a 2023, quando era de 4,2, mas ainda abaixo do índice alcançado em 2021, de 4,4.
O resultado deixa o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) ainda mais longe de alcançar a promessa de que sua gestão colocaria São Paulo em primeiro lugar nessa etapa. O secretário Renato Feder, inclusive, foi escolhido pelo governador para chefiar a pasta da Educação paulista exatamente por ter conseguido, quando secretário, colocar o Paraná na liderança do indicador.
Em 2015, a rede estadual paulista ocupava o primeiro lugar. Desde então, a cada edição do Ideb tem tido seu resultado superado por mais estados. Em 2025, dez estados tiveram médias maiores do que a de São Paulo, que ficou na 11ª posição. Em 2023, eram sete -considerando a nota dos alunos como critério de desempate para resultados iguais no indicador, o que deixava o estado em 8º.
Em entrevista à Folha de S. Paulo, Renato Feder diz avaliar que a educação de São Paulo vive um "avanço consistente". Sobre não ter conseguido atingir a meta de chegar à liderança no ensino médio, atribui a dificuldade ao tamanho da rede de ensino -que é a maior do país.
"[A dificuldade] é o nosso tamanho, é que temos a maior rede de ensino do país. Isso gera mais dificuldade, porque é outra dimensão. São Paulo tem o dobro [de alunos] da segunda maior rede, que é a de Minas Gerais. Tem o triplo do Paraná, que é a terceira maior rede. É muito difícil comparar", diz.
"O que é mais importante é que os resultados estão vindo. Temos um avanço consistente", conclui.
A rede estadual paranaense, sob o comando do governador Ratinho Junior (PSD), voltou a ter o maior resultado do Ideb nessa etapa em 2025, com média de 5,1. Em seguida estão Goiás (do então governo Ronaldo Caiado, PSD), Espírito Santo (da então gestão de Renato Casagrande, PSD) e Piauí (Rafael Fonteles, PT), todos com média de 4,9.
Os dados do indicador também mostram que São Paulo não conseguiu recuperar o aprendizado dos estudantes dessa etapa. O Ideb é calculado multiplicando a taxa média de aprovação (fluxo escolar) com a nota média dos alunos em provas de matemática e português.
Os resultados, divulgados nesta quarta mostram que a média da rede estadual paulista nessas duas disciplinas continua abaixo do que era registrado em 2019, antes da pandemia que resultou no fechamento de escolas e na suspensão de aulas presenciais.
Em 2025, a média dos estudantes foi de 268,22 em matemática e de 276,24 em português, pouco superior ao registrado em 2023, quando as médias foram de 264,66 e 274,43. Ainda assim, o resultado é inferior ao de 2019 –5,13 e 2,88 pontos a menos, respectivamente.
São Paulo continua distante das notas que seriam consideradas ideais para essas disciplinas, de 350 para matemática e 300 para português.
Esses índices refletem apenas as escolas de ensino médio regular. Neste ano, o Inep, órgão responsável pelo Ideb, decidiu separar a divulgação dos dados dessas escolas daquelas que oferecem Educação Profissional e Tecnológica.
Ao considerar as duas modalidades de ensino médio, São Paulo alcança um Ideb de 4,5. Apesar de ser um índice maior do que o registrado apenas nas escolas regulares, esse resultado ainda coloca a rede estadual paulista com o 8º maior resultado entre os estados no indicador.
O Inep, no entanto, não divulgou os resultados das notas médias dos alunos nas provas do Saeb considerando as duas modalidades de escola.
A estagnação da rede estadual paulista em um patamar baixo ocorre após o governo Tarcísio tentar replicar medidas que foram adotadas no Paraná e foram alvo de críticas por especialistas e professores das duas redes de ensino.
A principal delas foi o processo de digitalização do ensino, com a adoção de aplicativos para monitorar a frequência dos alunos e o uso de plataformas e jogos digitais.
A gestão também freou a política de expansão de matrículas em tempo integral, que havia sido a aposta da gestão anterior de João Doria (então no PSDB). No lugar, o governo Tarcísio priorizou ampliar o ensino profissionalizante em escolas regulares. Também adotou o modelo de escolas cívico-militares e iniciou o processo de concessão para a iniciativa privada da gestão de unidades escolares.