06 de agosto de 2026
POLÍTICA

Lula tem encontro Alcolumbre, três meses após rejeição de Messias

Por Augusto Tenório | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Ricardo Stuckert/PR
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP)

O presidente Lula (PT) encontrou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na noite desta terça-feira (3), após três meses de apelos de aliados para que eles reatassem a relação. Os chefes do Executivo e do Legislativo estavam rompidos desde a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF (Supremo Tribunal Federal), no final de abril.

Segundo interlocutores, o encontro aconteceu na casa do ministro Alexandre de Moraes, acompanhado também por Cristiano Zanin, indicado por Lula à corte. Não houve deliberação alguma sobre uma nova indicação de Messias, mas segundo pessoas a par da conversa, Lula deixou claro que qualquer movimento sobre o assunto ficará para depois das eleições de outubro.

De acordo com aliados de Lula, o encontro foi resultado de sequenciais apelos dos líderes do PT e do governo no Senado, Camilo Santana (CE) e Teresa Leitão (PE), respectivamente. Eles reforçaram um esforço do ministro de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), que vinha insistindo sem sucesso junto ao presidente da República por uma agenda com Alcolumbre. O presidente resistia, porém, por ter ficado contrariado com a rejeição de Messias, atribuída pelo petista a uma articulação do presidente do Senado.

Na segunda-feira (3), Lula avisou a interlocutores que havia aceitado se encontrar com Alcolumbre. Ainda inconformado com a derrota da indicação de Messias, o presidente indicou que não queria normalizar a rejeição do indicado, mas sim virar a página sobre o episódio e tratar de projetos do interesse do governo no Congresso.

Integrantes do Planalto tentavam convencê-lo a encontrar Alcolumbre com o argumento de que o governo tem propostas que carecem de aprovação na Casa, e que elas não poderiam ser sacrificadas porque os presidentes da República e do Senado não estão conversando.

No topo da prioridade está o fim da escala 6x1, proposta já aprovada na Câmara, mas que ficou engavetada no Senado. Lula defendeu a importância da proposta, e Alcolumbre indicou que voltaria a analisar o tema também após as eleições.

O senador, segundo aliados, segurou a proposta justamente para fazer com que Lula voltasse à mesa de negociações, após o rompimento causado pela rejeição de Messias no Senado. O tema, dessa forma, não deve ser analisado durante as duas semanas de funcionamento do Congresso durante o recesso.

Segundo interlocutores, não houve deliberação sobre votações, mas o encontro serviu para destravar o diálogo entre Planalto e Senado. As conversas dos líderes com a cúpula da Casa estavam travadas, justamente, pela indisposição de Lula para conversar com o senador.

Novas conversas da cúpula do governo com Alcolumbre devem ocorrer, mesmo durante o recesso. O tom desse diálogo ditará, justamente, como o PT vai abordar o fim da escala 6x1 e a pendência da votação durante a campanha eleitoral.

Ele nega, mas senadores apontam participação direta de Alcolumbre na derrota histórica para o governo. Eles indicam que o senador tentou fazer um gesto ao bolsonarismo num momento de baixa do petista nas pesquisas eleitorais.

O PL de Flávio Bolsonaro, porém, logo deixou claro que seus planos para a presidência do Senado não envolviam a continuidade de Alcolumbre no cargo. O grupo trabalha com a candidatura dos senadores Rogério Marinho (PL-RN) ou Tereza Cristina (PP-MS) para chefiar a Casa.

Nesse sentido, Alcolumbre pediu pelo menos três vezes, por meio de interlocutores, uma agenda com o presidente Lula. Ele sustenta que a rejeição de Messias foi resultado de uma insatisfação espontânea do Senado, que tinha preferência pela indicação do ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco (PSB-MG) à corte.