03 de agosto de 2026
JUSTIÇA

Fachin: STF tem de aceitar que opinião pública conteste decisões

Por Isadora Albernaz | da Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min
Fellipe Sampaio/STF
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, afirmou nesta segunda-feira (3) que os ministros analisam temas de "grande repercussão social" e, por isso, devem aceitar que suas decisões sejam debatidas e contestadas pela opinião pública.

Em meio à crise de imagem da corte que eclodiu com o caso do Banco Master, Fachin disse ainda que a força institucional do Supremo "não reside na ausência de crítica, mas na capacidade de conviver com ela sem perder a serenidade necessária".

"Essa tensão, quando exercida dentro dos limites republicanos, não fragiliza a instituição. Fortalece a democracia", declarou o magistrado em discurso de abertura dos julgamentos do segundo semestre de 2026. A corte esteve de recesso de 2 a 31 de julho.

Em sua fala, o presidente do STF também voltou a pregar parcimônia e discrição aos juízes, bandeiras de sua gestão desde que assumiu a corte. No primeiro semestre das atividades do Judiciário, ele tentou encampar um código de conduta aos magistrados, mas a proposta travou por resistências internas.

"Por trás de cada número, há um processo. Por trás de cada processo, há uma pessoa e uma controvérsia que aguarda resposta do Estado. Repito sempre essa imagem em meus discursos porque não podemos jamais nos esquecer dessa responsabilidade que nos acompanha, e que exige de nós parcimônia, discrição, celeridade e dedicação", disse Fachin.

A ministra Cármen Lúcia foi escolhida em fevereiro como relatora do código de conduta. Ainda não foi apresentada uma primeira versão das normas.

O presidente do STF também elencou como "desafios" a clareza na comunicação das decisões e a duração dos processos, em meio às críticas pelas sucessivas prorrogações do inquérito das fake news. Instaurado por Dias Toffoli e hoje conduzido por Alexandre de Moraes, a ação completou sete anos.

Fachin ainda pregou harmonia entre os Poderes. Segundo ele, o diálogo permanente da corte com a sociedade e com o Executivo e o Legislativo "são tarefas que não se esgotam nunca".