01 de agosto de 2026
ABASTECIMENTO

Redução da pressão de água passa de 10 para 8 horas em São Paulo

da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/Sabesp
Nível do Cantareira ficou acima do esperado

O Governo do Estado de São Paulo informou nesta sexta-feira (31) que, a partir deste sábado (1º), a redução da pressão da água no período noturno pela Sabesp, a chamada GDN (Gestão de Demanda Noturna), será reduzida de 10 para 8 horas em toda a região metropolitana da capital.

A partir de agora, o novo horário com redução da pressão nos canos passa a ser de 22h às 6h.

A diminuição foi possível pela melhora nas condições do sistema Cantareira, resultado de chuvas e afluências acima do previsto no mês de junho e na semana de 20 a 26 de julho, quando foi registrado volume de 31,6 mm de chuva, 177% acima do previsto nos modelos meteorológicos.

Com isso, houve a mudança da faixa 3 para a 2 na curva de contingência do Cantareira, que integra a metodologia de gestão hídrica do Estado de São Paulo.

A medida foi deliberada pela Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) nesta sexta, seguindo recomendação do Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica, composto pela Arsesp e pela SP Águas.

Uma das principais áreas que contribuíram para a melhora do nível do sistema Cantareira foi a bacia do rio Jaguari, no município de Extrema (MG). Na região foi registrada precipitação de 61,2 mm na penúltima semana de julho, equivalente a 144,3% da média climatológica do mês para o sistema.

Em junho, o acumulado de chuvas foi de 103,2 mm, quase o dobro do registrado em maio (53,5 mm), resultando em volume útil observado de 39,9%, superior ao esperado de 37,8%, um ganho de 2,1%.

Segundo o governo estadual, também contribuíram para a melhora nas condições a eficiência do trabalho de gestão hídrica realizado.

A gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) informou que desde o início da GND, em agosto de 2025, já houve a economia de 183 bilhões de litros de água, volume equivalente a uma represa Guarapiranga cheia, suficiente para abastecer 32 milhões de pessoas por 30 dias.

"Choveu mais que o esperado, e isso apareceu principalmente nas afluências —na água que chega aos reservatórios. Mas é importante dizer: continuamos com acumulados baixos na série histórica. O volume útil de hoje não está acima da média histórica; ele está 2,67% acima do que projetávamos para julho. Ou seja, a reservação respondeu positivamente e estamos rodando acima da curva projetada para o período", explica a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.

Ela enfatiza que a redução não representa situação confortável e que a população precisa seguir com o consumo consciente de água.

"Estamos cumprindo o previsto na metodologia, buscando sempre o melhor equilíbrio entre a preservação dos reservatórios e a garantia do menor impacto possível para a população. Mas é fundamental que todos compreendam que São Paulo vive uma situação crônica de escassez e que o uso consciente precisa fazer parte da rotina diária em todos os períodos, seja no chuvoso ou no seco", afirma.

A mudança de faixa prevista no contexto da metodologia de gestão hídrica do Estado de São Paulo é diferente da aplicada pela ANA (Agência Nacional de Águas) e SP Águas no que diz respeito à operação do sistema Cantareira. Nesta, o sistema permanece na faixa 3, de alerta, que estabelece que a Sabesp poderá retirar até 27 metros cúbicos por segundo do Cantareira.