30 de julho de 2026
JUSTIÇA

Penas na Operação Laços de Família ultrapassam 90 anos de prisão

Por Vitor Moretti | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Arquivo
Deflagrada em agosto de 2025, a operação apurou a existência de três núcleos criminosos, estruturados por vínculos familiares e ligados ao PCC, responsáveis pelo tráfico de drogas em Mirandópolis

A Justiça de Mirandópolis já condenou nove réus denunciados na Operação Laços de Família, investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) contra um esquema de tráfico de drogas ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Somadas, as penas ultrapassam 90 anos de prisão, todas em regime inicial fechado.

Na primeira sentença, foram condenados Sidney de Arimatéia de Sousa Barroso, Joel Araújo Lima Junior e Jeferson Ricardo Miranda, cada um a 10 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão, além de 1.633 dias-multa, pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, com incidência da causa de aumento prevista na Lei de Drogas em razão da atuação relacionada ao sistema prisional.

Na segunda decisão, o juiz Arthur Paku Ottolini Balbani condenou Ângelo dos Santos Bento Medeiros, Diovane Alex Sandro da Silva Moraes, Fernando Correa dos Santos, Jonathan Lúcio Ferreira Brito, Rudney Vinicius Ferreira e Mariana Maia de Martini. Ângelo, Diovane, Fernando e Jonathan receberam penas de 10 anos, 10 meses e 20 dias de prisão; Rudney foi condenado a 11 anos, 6 meses e 7 dias; e Mariana a 9 anos e 4 meses de reclusão, além das respectivas penas de multa.

Na fundamentação da sentença, o magistrado destacou que a materialidade delitiva ficou demonstrada principalmente pelas interceptações telefônicas realizadas durante a investigação, as quais evidenciaram a comercialização de entorpecentes em Mirandópolis e a atuação específica de cada integrante dentro do esquema criminoso. O juiz também ressaltou que as provas revelaram uma estrutura organizada, estável e permanente, com divisão de funções entre os envolvidos, suficiente para caracterizar o crime de associação para o tráfico.

Defesas

A defesa de Sidney de Arimatéia de Sousa Barroso e Diovane Alex Sandro da Silva Moraes, representada pelas advogadas Camila Koike e Patrícia Ferreira Dantas, informou que discorda da condenação. Em nota, afirmou que a sentença "carece de lastro probatório mínimo", sustentando que nenhuma substância entorpecente foi apreendida com os acusados, e informou que já interpôs recurso de apelação em favor de Sidney, adotando a mesma medida em relação a Diovane, buscando a reforma integral da decisão e o reconhecimento da inocência de ambos.

A defesa de Joel Araújo Lima Junior e Jeferson Ricardo Miranda informou apenas que não irá se manifestar. A reportagem não conseguiu contato com os advogados dos demais condenados.

Operação

Deflagrada em agosto de 2025, a Operação Laços de Família apurou a existência de três núcleos criminosos, estruturados por vínculos familiares e ligados ao PCC, responsáveis pelo tráfico de drogas em Mirandópolis e pelo abastecimento de entorpecentes em unidades prisionais da região. Durante a ação, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão, além da apreensão de drogas, dinheiro e aparelhos celulares. 

Segundo o Ministério Público, ainda falta o julgamento do chamado Grupo 1, formado por 11 denunciados, apontados como integrantes de outro núcleo da organização criminosa investigada.