As convenções partidárias servem para oficializar candidaturas. Mas, na política, o local escolhido para esse ato também comunica uma estratégia. E, no início da corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, os dois principais concorrentes fizeram escolhas que dizem muito sobre o eleitor que pretendem conquistar.
Fernando Haddad (PT) abrirá oficialmente sua campanha em Campinas, enquanto Tarcísio de Freitas (Republicanos) lançará sua candidatura à reeleição no Ginásio do Ibirapuera, na capital paulista. As duas decisões vão muito além da logística. São movimentos políticos cuidadosamente calculados.
No caso de Haddad, a mensagem parece bastante clara. O PT sabe que sua maior dificuldade eleitoral está justamente no interior paulista. Foi ali que Tarcísio construiu uma vantagem decisiva em 2022 e onde a esquerda continua encontrando enormes obstáculos para ampliar sua presença. A própria Região Metropolitana de Campinas simboliza essa realidade. Nas eleições municipais de 2024, nenhum dos 20 municípios elegeu um prefeito de esquerda, reforçando o avanço do campo conservador na região.
Por isso, escolher Campinas não parece ter sido um gesto protocolar. É uma tentativa de transmitir a ideia de que a campanha pretende dialogar justamente com o eleitor que hoje mais resiste ao partido. Inicialmente, o evento aconteceria em Ribeirão Preto, mas acabou transferido para Campinas, mantendo o objetivo de iniciar a campanha fora da Região Metropolitana de São Paulo e reforçar a presença petista no interior.
É uma estratégia compreensível, embora extremamente desafiadora. Mudar o local de uma convenção não altera, por si só, o comportamento do eleitorado. Mas demonstra que o partido reconhece onde está seu principal problema eleitoral. A campanha começa admitindo que, para vencer em São Paulo, será preciso reduzir a vantagem do adversário justamente nas regiões onde historicamente o PT mais patina.
Do outro lado, Tarcísio faz praticamente o movimento inverso. Em vez de buscar um território adverso, escolhe o Ginásio do Ibirapuera, um dos espaços mais emblemáticos da capital paulista, para oficializar sua candidatura. A mensagem ali não parece ser territorial, mas simbólica: projetar força, dimensão e capacidade de mobilização, reunindo aliados, lideranças e uma grande estrutura para marcar o início da campanha.
É uma estratégia típica de quem ocupa o cargo e busca transmitir a imagem de um governo consolidado. Enquanto Haddad tenta romper barreiras geográficas e políticas, Tarcísio procura reforçar a percepção de liderança e musculatura eleitoral, começando a campanha em um palco tradicional de grandes eventos.
No fundo, os dois movimentos revelam campanhas olhando para desafios completamente diferentes. Haddad precisa conquistar terreno onde historicamente encontra resistência. Tarcísio trabalha para preservar uma posição que hoje lhe é favorável.
As convenções, portanto, acabam funcionando como a primeira peça de comunicação da campanha. Antes mesmo de um programa eleitoral ou de um debate, os candidatos já começam a dizer muito por meio do cenário que escolhem para subir ao palanque.
Divulgação/Alesp
O deputado estadual Rafa Zimbaldi (União Brasil) confirmou que pretende disputar um terceiro mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo nas eleições de 2026. A pré-candidatura foi anunciada durante a convenção da Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP, realizada na segunda-feira (20), na Alesp.
Eleito deputado estadual pela primeira vez em 2018, Zimbaldi afirmou que pretende manter como prioridades do mandato o combate aos crimes digitais contra crianças e adolescentes, o enfrentamento à violência contra a mulher e a defesa de políticas públicas destinadas às pessoas com autismo e outras deficiências.
Segundo o parlamentar, aproximadamente R$ 288 milhões em emendas foram destinados a municípios paulistas durante os dois mandatos. Os recursos, conforme o gabinete, alcançaram cidades da região de Campinas, do Vale do Paraíba e das regiões Bragantina, Noroeste e Central do Estado.
Zimbaldi também indicou que pretende ampliar a destinação de verbas para saúde e assistência social, áreas que, segundo ele, concentram demandas recorrentes das administrações municipais e de entidades assistenciais.
A confirmação da candidatura ainda dependerá das etapas previstas pela legislação eleitoral, incluindo a formalização partidária no período das convenções oficiais.