16 de julho de 2026
EXPORTAÇÕES

Tarifaço de Trump pode impactar R$ 2 bi em exportações na RMVale

Por Da redação | Vale do Paraíba
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/Embraer
Nova tarifa de Trump deixou aeronaves de fora, poupando a Embraer

O novo tarifaço americano de 25% sobre produtos brasileiros pode impactar R$ 2 bilhões em exportações do Vale do Paraíba, cujos itens estão presentes na nova lista divulgada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na noite desta quarta-feira (15).

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Trump acatou a recomendação do USTR (Escritório do Representante do Comércio dos EUA) para tarifar produtos brasileiros. A decisão encerra a investigação da seção 301, iniciada em julho do ano passado.

No Vale, 14 das 21 cidades que exportaram no primeiro semestre venderam itens que constam do novo tarifaço, como vestuário, maquinário elétrico, calçados, papel, açúcar orgânico e produtos químicos diversos.

No primeiro semestre, segundo dados do governo federal, empresas do Vale exportaram US$ 387,40 milhões (quase R$ 2 bilhões na cotação do dólar) de produtos que constam na nova lista de Trump. Elas seriam as mais atingidas pela taxa de 25% imposta aos produtos brasileiros caso decidam exportar para os americanos -- nem todas elas exportaram para os EUA no primeiro semestre.

As tarifas devem entrar em vigor na quarta-feira (22). Contudo, autoridades americanas disseram que os canais ainda estão abertos para negociação.

A boa notícia é que a maior parte das exportações da região ficou fora da lista, como aeronaves, combustíveis e metais, que estão entre os produtos mais exportados pela região.

Investigação do USTR

A apuração do USTR, que visa lidar com práticas comerciais consideradas desleais pela gestão Trump, foi instaurada em julho de 2025 como uma das medidas anunciadas pelo republicano em reação ao que ele classificou como uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O órgão americano investigou desde temas que são motivo de atrito com os EUA há anos, como as tarifas brasileiras sobre a importação de etanol, até queixas mais novas, como o Pix — empresas americanas de cartão de crédito alegam que o Banco Central concede tratamento preferencial ao sistema de pagamento instantâneo, o que o governo Lula (PT) nega.

O representante de comércio da Casa Branca, Jamieson Greer, havia sinalizado para o governo que seria mantida a recomendação de um novo tarifaço sobre produtos brasileiros.

Em nota, o governo brasileiro afirmou repudiar a decisão e que iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade. Em vigor desde o ano passado, a legislação estabelece os critérios que podem ser utilizados pelo Brasil para reagir com medidas retaliatórias contra sanções econômicas aplicadas por outro país.

“O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”, afirmou o governo.

O tarifaço ameaça parte importante das exportações brasileiras aos EUA, pondo em risco a produção e o emprego em setores com alto nível de dependência do mercado americano.

Brasil é 2º país mais taxado

Com a nova tarifa, o Brasil passa a ser o segundo país mais tarifado pelos EUA no planeta, atrás apenas da China, como mostrou uma reportagem da BBC News com base nos dados da iniciativa Global Trade Alert. Antes dessa nova rodada do tarifaço, o Brasil era o 13º país do ranking.

O aumento do tarifaço pode obrigar o governo petista a manter programas de apoio ao setor produtivo, como o Brasil Soberano, criado em 2025 para apoiar exportadores e depois expandido para atender empresas prejudicadas pelo fechamento do estreito de Hormuz.

O ministro Márcio Elias Rosa, do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), já havia antecipado, em entrevista, que a expectativa de um acordo não existia tanto pelo prazo quanto pelos pontos levantados pelos EUA.

O Mdic calculou, no início de junho, que as novas tarifas poderiam afetar 21% das exportações nacionais para os americanos.

O governo brasileiro promoveu ao menos cinco reuniões entre Rosa e o representante de comércio dos Estados Unidos — outros encontros também ocorreram entre as equipes técnicas dos dois países.

A última reunião aconteceu na terça-feira (14) e, em nota divulgada pelo site do Mdic, foi dito que a possibilidade de qualquer sobretaxa “se mostra injusta e não é o caminho para que possamos vir a formular um acordo bilateral mutuamente adequado”.

* Com informações da Folha de S.Paulo