12 de julho de 2026
DCTA

Lula visita São José para conhecer turbina inédita a etanol; Veja

Por Jesse Nascimento | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Palácio do Planalto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visita São José dos Campos nesta segunda-feira (13) para conhecer a UGEE1000BR, a primeira unidade brasileira de geração de energia elétrica com turbina a gás 100% nacional movida a etanol. 

Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp

A agenda acontece às 13h30 no IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço), dentro do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), um dos principais polos de pesquisa tecnológica do país.

O equipamento representa um avanço estratégico para a indústria nacional ao combinar tecnologia desenvolvida no Brasil com o uso de um combustível renovável. A expectativa é que a inovação abra caminho para aplicações em geração distribuída de energia, operações militares, hospitais de campanha, regiões isoladas e sistemas de emergência.

O que é a UGEE1000BR

A sigla significa Unidade Geradora de Energia Elétrica. O sistema utiliza uma turbina a gás alimentada por etanol hidratado para movimentar um gerador elétrico.

Apesar do nome "turbina a gás", o combustível não precisa estar em estado gasoso. A denominação se refere ao funcionamento da máquina: o etanol é queimado em uma câmara de combustão, produzindo gases quentes que movimentam as pás da turbina. Esse movimento gira um eixo conectado ao gerador responsável pela produção de eletricidade.

A tecnologia emprega princípios semelhantes aos utilizados em motores aeronáuticos, área em que São José dos Campos é referência internacional.

Por que a turbina é considerada inédita

O diferencial do projeto não é apenas utilizar etanol como combustível. Segundo a Força Aérea Brasileira, trata-se da primeira unidade brasileira equipada com uma turbina a gás totalmente desenvolvida no país, incluindo projeto, câmara de combustão, sistemas de controle, integração, estrutura e demais componentes.

Embora já existam turbinas adaptadas para operar com etanol em outros países — e até mesmo no Brasil, como uma usina inaugurada em Minas Gerais em 2010 utilizando tecnologia estrangeira —, a UGEE1000BR representa o domínio nacional sobre toda a engenharia do equipamento.

Essa independência tecnológica reduz a dependência de fornecedores internacionais e fortalece a indústria brasileira de alta tecnologia.

Por que usar etanol

O projeto utiliza etanol hidratado, o mesmo vendido nos postos de combustíveis brasileiros.

A escolha se deve à ampla produção nacional, facilidade de distribuição e potencial para reduzir a utilização de combustíveis fósseis em sistemas de geração de energia.

Além disso, ao contrário das fontes solar e eólica, a turbina pode produzir eletricidade a qualquer momento, desde que haja combustível disponível, funcionando como complemento da matriz energética ou fonte de emergência.

Onde poderá ser utilizada

Entre as aplicações previstas estão:

Também poderá integrar sistemas híbridos, trabalhando em conjunto com painéis solares e bancos de baterias.

Projeto ainda está em fase de testes

A UGEE1000BR ainda é um demonstrador tecnológico.

O equipamento foi entregue oficialmente no início de julho e agora passará por uma série de ensaios para avaliar potência, consumo de combustível, emissões, eficiência, durabilidade, estabilidade operacional e segurança.

Ainda não há previsão de comercialização nem divulgação de custos ou cronograma para produção em escala.

Quem desenvolveu a tecnologia

O projeto reúne pesquisadores do IAE, do DCTA e empresas brasileiras.

Participam do desenvolvimento a Aero Concepts, além de parceiros industriais e tecnológicos, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, da Finep, da FW Soluções Industriais e da GA General Automation.

A visita de Lula ocorre menos de duas semanas após a apresentação oficial da UGEE1000BR e coloca São José dos Campos novamente no centro das discussões sobre ciência, tecnologia, transição energética e desenvolvimento industrial brasileiro.