A morte de Esther Aparecida Ramos de Oliveira Santos, de 32 anos, provocou comoção e levantou questionamentos sobre o atendimento prestado pela rede pública de saúde de Araçatuba. Familiares e amigos alegam que a jovem teria procurado atendimento em diferentes oportunidades sem que a gravidade de seu quadro clínico fosse identificada, situação que, segundo eles, precisa ser esclarecida pelas autoridades competentes.
Os relatos ganharam repercussão nas redes sociais após a publicação de um vídeo por uma moradora da cidade, que afirma ter presenciado Esther deixando o Pronto-Socorro Municipal em uma cadeira de rodas, acompanhada da mãe.
Segundo a autora da publicação, familiares informaram que a jovem teria buscado atendimento médico por cerca de dez dias, alternando passagens entre a Unidade Básica de Saúde do bairro São José e o Pronto-Socorro Municipal.
De acordo com esses relatos, durante esse período ela teria recebido diagnósticos relacionados a uma possível crise de ansiedade e sido orientada a retornar para casa. Ainda segundo familiares, um exame de ultrassom para investigar a hipótese de pedra na vesícula precisou ser custeado pela própria família.
No vídeo, a moradora afirma que nenhuma família deveria enfrentar situação semelhante e defende que os fatos sejam rigorosamente apurados pelas autoridades responsáveis.
O caso também motivou manifestação do vereador Damião Brito (Rede), presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Araçatuba.
Em publicação nas redes sociais, o parlamentar lamentou a morte de Esther, destacou que a jovem deixou dois filhos pequenos — uma bebê de quatro meses e uma criança de três anos — e afirmou ter recebido diversas mensagens de moradores relatando preocupação com o atendimento na rede pública de saúde.
Segundo o vereador, a família procurou seu gabinete e recebeu apoio jurídico para acompanhar a apuração dos fatos.
Damião ressaltou que eventuais falhas deverão ser investigadas e defendeu que, caso seja constatada alguma irregularidade, os responsáveis sejam responsabilizados na forma da lei.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Araçatuba informou, por meio de nota, que lamenta profundamente a morte de Esther Aparecida Ramos de Oliveira Santos e manifestou solidariedade aos familiares.
A administração municipal informou que solicitou à Associação Filantrópica Nova Esperança (AFNE), responsável pela gestão do Pronto-Socorro Municipal, o prontuário, os registros clínicos, demais documentos relacionados ao atendimento da paciente e também as gravações dos atendimentos realizados.
Segundo a Prefeitura, a medida tem como objetivo permitir a reconstituição detalhada dos procedimentos adotados durante o atendimento prestado à paciente.
O município informou ainda que o caso será analisado pelo Comitê de Mortalidade Municipal, órgão técnico responsável pela apuração de óbitos ocorridos na rede municipal de saúde.
De acordo com a administração, a Secretaria Municipal de Saúde acompanhará toda a investigação e adotará as medidas cabíveis após a conclusão da análise técnica.
Por fim, a Prefeitura reafirmou o compromisso com a transparência, a qualidade da assistência prestada e a melhoria contínua dos serviços de saúde oferecidos à população.
Até o momento, não há conclusão oficial sobre a causa da morte nem sobre eventual responsabilidade de profissionais ou da rede pública de saúde, sendo necessária a apuração dos fatos pelos órgãos competentes.
Segundo informações do serviço funerário, Esther Aparecida Ramos de Oliveira Santos foi velada nesta sexta-feira (10), na Cardasi da Avenida Prestes Maia. O sepultamento ocorreu às 17h, no Cemitério Recanto de Paz.