27 de julho de 2026
IMPRUDÊNCIA

Mão na placa em Campinas desafia radares em grandes avenidas

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Radares registraram 196,2 mil imagens de motociclistas tentando esconder a placa no primeiro semestre.

Campinas registrou 196,2 mil imagens de motociclistas encobrindo a placa entre janeiro e junho de 2026, segundo dados dos equipamentos de fiscalização eletrônica administrados pela Emdec. A prática, conhecida como “mão na placa”, é usada para tentar impedir a identificação do veículo durante infrações de trânsito.

O volume representa uma média de 32,7 mil flagrantes por mês, ou quase 1,1 mil registros por dia. As imagens mostram motociclistas escondendo a placa em situações que, segundo a Emdec, costumam estar associadas a outras condutas de risco, como excesso de velocidade, avanço de sinal vermelho e circulação indevida em faixas exclusivas.

Somente em julho, a irregularidade foi flagrada em vias como as avenidas John Boyd Dunlop, Ruy Rodriguez, Piracicaba, José de Souza Campos, a Norte-Sul, e Marechal Rondon. Em alguns casos, os motociclistas passaram pelo sinal vermelho e utilizaram o corredor exclusivo do BRT pouco depois da travessia de pedestres, aumentando o risco de atropelamento.

“A conduta de risco esconde mais do que a identificação do veículo. Como mostram os flagrantes, quem pratica ‘mão na placa’ geralmente passa pelos radares em altas velocidades e não respeita o sinal vermelho, colocando a vida de pedestres e de outros usuários das vias em jogo”, reforça o coordenador da Central de Monitoramento e Supervisão de Radares, Nilvando Rezende.

Apesar da quantidade elevada, a Emdec aponta queda de 39% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 323,7 mil imagens da mesma irregularidade. No ano passado inteiro, os radares captaram 592,7 mil situações de “mão na placa”, média de 49,4 mil por mês.

Segundo a empresa municipal, a redução está ligada ao reforço da fiscalização presencial e remota. Entre as medidas adotadas estão o remanejamento de radares em eixos críticos, como as avenidas Ruy Rodriguez e John Boyd Dunlop, a ampliação de blitze integradas e o uso de câmeras para identificar comportamentos de risco.

Campinas mantém 144 pontos de fiscalização eletrônica. Em 2025, cinco equipamentos foram remanejados, e outros dois passaram por mudança neste ano. A Emdec também realizou 124 operações integradas em 2026, com mais de 4,5 mil condutas de risco identificadas. Em 2025, foram 295 blitze e 10,9 mil infrações fiscalizadas.

A fiscalização por câmeras também foi ampliada. Atualmente, a cidade conta com 19 pontos ativos de monitoramento remoto. No primeiro semestre, esses equipamentos identificaram 14,8 mil condutas de risco.

A prática de circular com a placa sem condições de visibilidade é infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na CNH. No caso das imagens captadas pelos radares, as autuações acabam invalidadas quando não é possível identificar o veículo. A Emdec ressalta que o mesmo veículo pode aparecer mais de uma vez nos registros.

Os motociclistas seguem entre as principais vítimas do trânsito em Campinas. Até maio de 2026, das 15 mortes registradas nas vias da cidade, dez envolveram motociclistas ou garupas, o equivalente a 67% do total.

Velocidade excessiva e avanço de sinal também aparecem entre os principais fatores de risco. Dos sete casos fatais já analisados em 2026, um teve relação com excesso de velocidade. Em 2025, a velocidade esteve associada a 50 mortes no trânsito, enquanto o avanço semafórico apareceu em outros quatro casos fatais, três deles envolvendo passageiros ou garupas de motos.