Uma discussão no trânsito terminou de forma trágica na noite de domingo (5), em Jacareí. O motociclista Weverton Innocente, 45 anos, morreu após ser atingido por uma caminhonete VW Amarok na rua Anésia Ruston, no Jardim das Indústrias. O motorista, de 38 anos, foi preso em flagrante por homicídio doloso na modalidade de dolo eventual.
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O caso aconteceu por volta das 22h18, nas proximidades da Igreja Guadalupe. Segundo o boletim de ocorrência, policiais militares da Força Tática do 41º BPM/I (Batalhão de Polícia Militar do Interior) estavam no Centro de Polícia Judiciária quando ouviram um forte ruído de frenagem vindo da rua.
Logo em seguida, uma picape Amarok prata parou em frente à unidade policial. O condutor desceu do veículo bastante nervoso e informou aos policiais que havia acabado de atropelar e matar uma pessoa.
Equipes de resgate e da Polícia Militar foram acionadas, mas a morte do motociclista foi confirmada ainda no local. A área foi isolada para o trabalho da perícia, e a caminhonete, além de outros veículos citados na ocorrência, foi apreendida para exames da Polícia Científica.
Uma testemunha, sem vínculo com os envolvidos, afirmou à Polícia Civil que viu a caminhonete e a motocicleta trafegando lado a lado enquanto os condutores discutiam. Segundo o relato, o motorista teria direcionado o veículo contra o motociclista, que foi lançado contra um muro.
A testemunha disse ainda que chegou a gritar para que o motorista não realizasse a manobra.
Outra pessoa informou ter visto a Amarok em alta velocidade e a motocicleta sendo arrastada em direção ao muro. Após a colisão, o motorista deixou o local e seguiu até o plantão policial.
Em depoimento, o motorista negou ter cometido homicídio. Ele afirmou que possuía uma antiga desavença com um parente da vítima, motivada por ciúmes envolvendo um relacionamento anterior.
Segundo sua versão, momentos antes do atropelamento teria discutido com esse familiar e, posteriormente, um motociclista — que disse não conhecer — atingiu o retrovisor da caminhonete. O homem alegou ter acreditado que poderia ser perseguido e, por isso, seguiu diretamente para a delegacia.
Ele admitiu que percebeu a proximidade da motocicleta, mas afirmou que não retornou ao local nem prestou socorro porque não sabia exatamente o que havia acontecido.
A Polícia Civil registrou o caso como homicídio doloso na modalidade de dolo eventual, entendimento adotado quando há indícios de que o autor assumiu o risco de provocar a morte.
No despacho, a autoridade policial destacou que lançar uma caminhonete de grande porte contra um motociclista representa uma conduta com alto potencial letal, razão pela qual o caso não foi tratado, inicialmente, como um simples acidente de trânsito.
O motorista passou por exame clínico para verificar eventual consumo de álcool, mas o resultado foi negativo, sem sinais de alteração da capacidade psicomotora.
Como o crime investigado prevê pena superior ao limite legal para concessão de fiança pela autoridade policial, o benefício não foi arbitrado. A Polícia Civil também solicitou a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, alegando a gravidade dos fatos e a necessidade de garantir a ordem pública.
A investigação prossegue com a análise de imagens de câmeras de segurança da região, perícias no local e nos veículos, exame necroscópico e o confronto entre os depoimentos das testemunhas, a versão apresentada pelo motorista e as provas técnicas que serão produzidas.